SAÚDE - Taxa de doadores efetivos cresce no Brasil
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domingo, 01 de dezembro de 2013
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
De janeiro a setembro de 2013, a taxa de doadores efetivos cresceu 5,5% em relação a 2012, no Brasil, passando de 12,6 por milhão de população (pmp) para 13,3 pmp. Já a taxa de doadores efetivos com órgãos transplantados registrou aumento menor, de 3,3%, tendo passado de 12 para 12,4 pmp. As informações são do Registro Brasileiro de Transplantes, produzido pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). A taxa de notificação teve um aumento de 9,3%, passando de 42,1 pmp para 46 pmp, valor muito próximo do objetivo estabelecido pela ABTO para 2017: 50 pmp.
Por outro lado, entretanto, observou-se pela primeira vez nos últimos seis anos uma leve queda na taxa de efetivação, que passou de 30% para 29%, muito distante do objetivo para 2017 (40%). Conforme análise disponível na última edição do documento, "essa queda na efetivação deveu-se ao significativo aumento de 14,6% na taxa de não autorização familiar, que passou de 41% para 47%. Esse resultado deve levar a uma busca de aperfeiçoamento nos cursos de formação de coordenadores com ênfase nesse aspecto e nas campanhas e medidas junto à população".
Outra meta da associação é obter, até 2017, uma taxa de 20 doadores efetivos por milhão de habitantes no Brasil, número que já foi alcançado por Paraná, Santa Catarina, Ceará e Distrito Federal. Conforme a diretora da Central de Transplantes do Paraná, Arlene Badoch, o sistema do Estado vem passando por um processo de readequação nos últimos três anos, com aumento de 195% dos transplantes renais, inclusive com pacientes vindos do estado do Mato Grosso para fazer transplantes renais e de fígado em instituições paranaenses. No total, considerando os transplantes de rim, fígado, coração e pâncreas, os procedimentos passaram de 137, de janeiro a outubro de 2010, para 395 no mesmo período de 2013.
"Temos trabalhado bastante sobre a necessidade da conscientização sobre a doação, porque à medida que aumentam as doações, aumentam os transplantes. É uma realidade que estamos revertendo no Estado. Pedimos às famílias dos pacientes inscritos em listas que também façam campanhas em suas regiões", afirma.
O nefrologista José Medina Pestana, presidente da ABTO, considera que o Paraná é bastante eficiente com relação aos serviços de transplantes, com centros de referência localizados em Londrina, Maringá, Cascavel e na Região Metropolitana de Curitiba. Por isso, o trânsito de pacientes acaba sendo prioritariamente dentro do Estado, ao contrário de pacientes das regiões Norte e Nordeste do Brasil, por exemplo, que têm de mudar-se para outros estados em busca de tratamento. "A maior parte das pessoas acaba indo para São Paulo, que concentra centros de referência para transplantes de todos os órgãos. Além, disso, em São Paulo todo mundo tem parentes, o que facilita a estadia", comenta.
Medina ressalta que a eficiência do transporte aéreo facilita a vida dos pacientes, que normalmente ficam esperando a disponibilidade de órgãos em casa e só viajam quando é encontrado um doador compatível. Após o transplante, o acompanhamento mais intensivo dura de dois a cinco meses, que é o tempo que as pessoas costumam ficar longe de suas casas. Ele lembra que um projeto do Ministério da Saúde anunciado no ano passado prevê a instalação de serviços de referência nas regiões desprovidas de equipes capacitadas. "Mas é um projeto para ser finalizado em dez anos", observa.


