Saques superam depósitos em R$ 11,7 mi no bimestre
O balanço do Banco Central (BC) para janeiro e fevereiro aponta que os saques na caderneta de poupança superaram os depósitos em R$ 11,7 milhões no primeiro bimestre de 2015, o pior resultado desde o início da série histórica da instituição, em 1995. Parte da explicação está no fato de a taxa Selic ter aumentado, o que faz com que investidores mais atentos busquem outros tipos de aplicação financeira, que rendam mais que a inflação. Porém, o professor de economia Azenil Staviski, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que o resultado é também preocupante porque indica que a renda não tem avançado e que a alta dos preços tem penalizado o trabalhador.
Outra questão é que os recursos da poupança têm vinculação a programas do governo federal, como projetos de saneamento básico ou de habitação. "Não é bom quando começa a cair, mas ainda não é um problema porque o governo não trabalha só com esses recursos e pode buscar de outros fundos", afirma Staviski.
Em janeiro, a captação líquida ficou negativa em R$ 5,5 milhões e, em fevereiro, em R$ 6,2 milhões. No saldo total, a poupança soma R$ 658,1 milhões, já contabilizado o rendimento dos juros.
Staviski estuda a poupança brasileira e afirma que a representatividade dos recursos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) nacional tem caído. "Tivemos um pico em 2004, de 18,31% do PIB. Que se manteve em torno de 17% até 2007 e chegou a novo pico, de 18,32%, em 2008", conta.
Para o professor, a justificativa é que o período foi de bonança na economia internacional e no Brasil, até que estourou a crise financeira naquele ano. Em 2013, ele afirma que o índice ficou em 13,39% e a previsão para 2014 o PIB do ano ainda não foi divulgado pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) é de 13%. Para 2015, diante do cenário econômico incerto, Staviski acredita que é provável que ocorra nova queda na relação entre a poupança e o PIB caia para menos de 13%. "O aumento da inflação faz cair o poder aquisitivo do trabalhador, que não consegue mais poupar tanto porque precisa do dinheiro para o consumo básico", conta. (F.G.)





