Sanidade deve ser a maior preocupação
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domingo, 25 de outubro de 2015
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Sanidade. Este foi o tema que mais provocou debate na 5ª edição do EncontrosFolha. Não só na pecuária, devido à intenção do governo do Estado de buscar o status do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação, mas também na agricultura, com o risco da propagação da ferrugem asiática. Além do professor Alexandre Mendonça de Barros, da Fundação Dom Cabral (FDC), participaram do evento como painelistas convidados o diretor-geral do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria do Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Francisco Simioni; o presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette; o superintendente-adjunto da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Nelson Costa; e o chefe-geral da Embrapa Soja, José Renato Bouças Farias.
Embora não tenha se posicionado contra o status pretendido pelo governo paranaense, o representante da FDC mostrou-se cético quanto à sua viabilidade. "O desafio para regiões de alta intensificação como o Paraná é produzir bezerro. Estive em Bagé, no Rio Grande do Sul, e a discussão acalorada lá é que a soja começa a entrar em áreas alagadas. E a ocupar espaço das vacas", disse Barros. Se for declarado área livre de aftosa sem vacinação, o Paraná não poderá trazer bezerros de outros estados. Terá de dedicar áreas hoje voltadas à produção de grãos para a pecuária. "Se você olhar o mundo inteiro, cria é feita em áreas pobres", declarou.
Na plateia, o produtor Francisco Galli fez críticas ao Estado. "Morro de medo da liberação de nosso Estado da vacinação porque o produtor faz sua parte, mas o Estado não faz. Não tem fiscais em número suficiente e bem renumerados para evitar o transporte de animais que vêm de outros locais", disse.
Para Barros, o governo e o setor público precisam se entender porque a carne vermelha vive um momento histórico. "Nunca houve uma coincidência de ciclos pecuários entre Estados Unidos, Brasil e Austrália como estamos tendo agora. Os três maiores exportadores de carne de nível médio e alto estão, neste momento, retendo fêmeas." Essa coincidência, de acordo com Barros, levará a uma falta de carne vermelha que vai ser tornar mais aguda nos próximos dois anos. "Não me parece à toa que os Estados Unidos abriram uma cota (de carne) para o Brasil. É uma oportunidade única que nós estamos novamente deixando passar", declarou.
Já Nelson Costa, da Ocepar, defendeu o certificado de área livre de aftosa sem vacinação e lamentou o fato de que o processo de obtenção tenha atrasado. Pelo planejamento do governo, no segundo semestre deste ano, a vacina deixaria de ser aplicada. "Esperamos em 2018 ter essa questão sanada", disse. Ele também lamentou o fato de a proibição do plantio da soja safrinha ter sido adiada para 2017. "Temos um problema iminente que é a ferrugem asiática." E contou que a Ocepar participou de uma "rodada" por todo o Estado para esclarecer o produtor sobre o problema.
Para Costa, outra questão preocupante em relação à sanidade vegetal, está relacionada à qualidade das sementes. "Estamos vendo agora o Rio Grande do Sul com 85% de área plantada com soja bolsa branca, com semente de paiol. No Paraná já são 20% nesta condição", disse. E criticou os agricultores. "A troco de economia, tem gente que prefere plantar soja de paiol", declarou.
Ele disse que o País ganhou mil quilos de produtividade por hectare nos últimos dez anos devido à biotecnologia e à genética. "Temos uma preocupação muito grande com o crescimento do plantio de sementes não renováveis. Há um risco muito grande de perdermos os avanços tecnológicos devido ao capricho de quem não quer pagar por uma semente melhorada."
Multinacionais
O chefe da Embrapa mostrou sua preocupação com "produtos milagrosos" oferecidos por multinacionais. "Os interesses dessas empresas são enormes e nós não temos pernas suficientes para chegar ao produtor da mesma forma que elas", admitiu José Renato Bouças Farias. Problemas como o da soja safrinha seriam decorrentes do poder de convencimento das multinacionais.
A antecipação do plantio é um problema grave, segundo Farias. E pode ser evitado. "Por que precisamos plantar tão cedo? Se pegarmos exemplos de concurso de produtividade, vamos ver que os campeões são aqueles que investiram em manejo de solo. Será que precisaríamos de safrinha se investíssemos em manejo", questionou.
A mediação do debate foi feita pelo coordenador do curso de agronomia da UniFil, Fabio Suano de Souza. Confira nesta edição os resumos dos quatro painéis apresentados na 5ª edição do EncontrosFolha.


