As águas do Aquífero Guarani já são exploradas pela Sanepar, que possui atualmente 59 poços tubulares profundos em operação no Paraná para captação em 27 municípios. A companhia considera que a água do Aquífero, sob o ponto de vista de qualidade natural, quase sempre é potável. Através da assessoria de imprensa, foi informado que alguns poços, porém, oferecem o líquido com altos teores de pH e temperatura, impondo necessidade de correção e resfriamento para consumo.
Também existem no estado alguns poços que resultaram em água com altas concentrações de sais minerais dissolvidos e fluoretos. Nesses casos as alternativas de tratamento ainda são complexas, onerosas e diferentes dos processos de tratamento da água dos rios, o que torna a utilização inviável. Poços perfurados pela Sanepar chegaram a apresentar até 12 ppm de flúor, o que inviabilizou sua utilização, visto que o limite da Portaria do Ministério da Saúde para águas potáveis é de até 1,5 ppm.
João Horácio Pereira, geólogo e gerente da unidade de hidrogeologia da Sanepar, informa que as águas dentro do padrão de potabilidade ocorrem nas proximidades da área de recarga, onde a oferta de água é próxima da superfície.
Os poços em operação pela Sanepar produzem vazões variáveis entre 15 até 200 metros cúbicos por hora. Os dois poços com maior profundidade e maior produção compõem o sistema de abastecimento Guarani Norte de Londrina. Com capacidade para produção de 400 metros cúbicos por hora, atendem uma população de 100 mil pessoas. Ambos entraram em operação em 2008 para atender uma demanda específica da zona norte da cidade, que na época enfrentava desabastecimento. "Naquele momento foi mais viável perfurar os poços do que captar água no Rio Tibagi", explica. Atualmente, porém, a companhia investe na duplicação da captação do Rio Tibagi para garantir o abastecimento do município.
Como a água é captada a uma temperatura de 40 graus centígrados, antes de distribuí-la a Sanepar faz o resfriamento para atingir uma temperatura média de 20 graus. Além disso, o pH é corrigido com adição de gás carbônico e a água recebe flúor e cloro, como ocorre na captação fluvial.
Jurandir Boz Filho, geólogo do Instituto Águas do Paraná, lembra que o conteúdo do Aquífero é muito explorado pelo turismo, principalmente em hotéis com águas termais. Ele comenta, também, que no estado a exploração das águas dos rios ainda é farta, por isso não se investe muito nas águas subterrâneas. "O Aquífero é uma reserva guardada e pouco explorada, que pode ser fonte de abastecimento em caso de falta de água", acredita.

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