Salário mínimo compra 2,5 cestas básicas
O economista Marcos Rambalducci, professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), realiza mensalmente uma pesquisa sobre os preços dos produtos básicos da cesta básica e aponta a variação na capacidade de compra do conjunto de produtos em Londrina. Em 2008, quando ocorreu o pico negativo dos últimos dez anos, o salário mínimo nacional permitia comprar 2,2 cestas básicas. Em 2012 foi quando se observou a maior capacidade de compra, momento em que o salário mínimo permitiu a aquisição de 2,7 cestas básicas. "Daí em diante foi perdendo poder de compra e atualmente o salário mínimo consegue comprar 2,5 cestas básicas", compara.
Para ele, a inflação explica o empobrecimento da população, mas não é a única causa. "O governo tirou as pessoas das classes D e E através da transferência unilateral. As famílias usaram o incremento nos ganhos para consumo, mas não investiram para melhorar a empregabilidade. Aí a recessão tira o emprego e a renda, jogando essa população de volta para a classe D. Certamente, haverá aumento na base da pirâmide das classes sociais", acredita.
Ele observa que, diante da inflação, muita gente deixou de comprar feijão e chega ao "cúmulo" de adicionar água no leite para render mais. A conjuntura atual, porém, é atípica principalmente por causa das condições climáticas que prejudicaram a produção agropecuária. "Com isso desenvolve-se a cultura da substituição, ou seja, trocar um alimento que está caro por um similar mais acessível, como é o caso de substituir feijão por lentilha ou grão de bico", compara.
Júlio Suzuki, diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), reforça que o desemprego está realmente provocando o retorno de famílias que ascenderam à nova classe C para a pobreza. "Com a crise, empregadores que estavam contratando pessoas sem qualificação por necessidade voltaram a exigir uma qualificação mínima, o que está deixando muita gente sem oportunidade de trabalho."
Ele destaca, porém, que a situação do Paraná e dos estados do Sul é mais confortável que a de outras regiões. "Enquanto o desemprego está na faixa de 11% no Brasil, é de 8% no Estado", compara, lembrando que o Paraná tem a seu favor a eficiência do agronegócio que conta com a possibilidade, inclusive, de enfrentar a crise com as vendas para o mercado internacional. (C.A.)





