Sala de aula é adaptada em assentamento
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sábado, 25 de agosto de 2001
Rodrigo Sais<BR>De Curitiba 
A temperatura no município de Balsa Nova é de 15 graus. Vestindo uma calça, uma blusa de lã e havaianas, Leandro Rockbaque da Silva, 9 anos, caminhou 7 km para chegar até a escola do Contestado, no assentamento do Movimento dos Sem Terra localizado na Lapa.
Algum arrependimento? ''Não. Adoro vir para a escola e fico triste quando não posso vir'', afirma Leandro. Junto com mais dez colegas, ele frequenta a quarta série e tem aulas em um antigo escritório da Incepa que foi reformado para abrigar o quadro-negro e as 11 carteiras escolares - o único material de apoio da escola.
As aulas da 1 a 4 série da escola do Contestado são ministradas por duas professoras, que realizam o trabalho de forma voluntária. A professora de Leandro, Sandra Mara Maier, foi aprovada em um concurso no município de Balsa Nova, mas até agora não foi contratada.
O centro escolar atende a um total de 110 famílias assentadas, que se organizaram para ajudar a reformar as salas de aula e coletar material didático. O município contribui com livros escolares e transporte para os alunos do assentamento que frequentam aulas do Ensino Básico e Médio.
''Seguimos os livros e as diretrizes curriculares da Lei de Diretrizes e Base, mas também fornecemos nosso próprio conteúdo. Procuro trabalhar sempre com a realidade que eles vivem. Em Ciências, por exemplo, fizemos um trabalho sobre água e terra, e aproveitamos para falar sobre a luta pela terra'', explica a professora.
Periodicamente, as professoras do Contestado encontram-se com outros educadores para discutir os problemas da educação e trocar experiências. ''Sempre aprendemos algo interessante, chegamos com idéias novas. Ano passado organizamos uma visita a uma lavoura de milho para que as crianças pudessem aprender mais sobre o assunto'', comemora Sandra Maier.
Mesmo com poucos recursos, os trabalhadores rurais tentam dar melhores condições aos alunos. Neste ano, um pequeno parquinho foi construído com pneus e compensados de madeira, e as mães dos alunos organizaram o setor de alimentação, conquistas que agradaram as crianças. ''Gosto do recreio porque pegamos nosso lanche e podemos brincar. Só é chato quando as mães não vêm fazer lanche'', lamenta Riquieli Capitani, de 9 anos.


