Safra injeta R$ 4,5 bilhões na economia paranaense
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sábado, 14 de abril de 2001
Carmem Murara De Curitiba 
A safra recorde de grãos que o Paraná colhe neste ano provoca uma verdadeira movimentação em toda a cadeia produtiva da agropecuária e extrapola para os demais setores. Cálculo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento estima que R$ 4,5 bilhões sejam injetados na economia paranaense.
O volume de dinheiro leva em conta os principais produtos colhidos no Estado e o que eles refletem na indústria e comércio. Do total de riquezas que circulam pelo Estado em época de colheita, apenas uma pequena parte está ficando nas mãos do produtor. As características da comercialização da safra 2000/2001 mostram que houve uma das maiores transferências de renda do agricultor para os setores que se seguem.
O produto que tem mais peso na atração de divisas para o Estado e faz com que haja maior impacto na economia é a soja. A comercialização das 8 milhões de toneladas retiradas do campo vão render cerca de R$ 2,2 bilhões. Em seguida está o milho, que representará mais R$ 1,4 bilhão. Soja e milho são os dois principais produtos plantados hoje no Paraná.
O grande dilema para o produtor foi colher muito mais do que se esperava. São 35% mais do que a previsão, ao mesmo tempo em que ele não tem preço suficiente para garantir uma boa comercialização. A receita deste ano será menor do que na safra passada, apesar da excelente produtividade, afirma o técnico da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Paulo César Lopes. Ele acredita que a receita do produtor está comprometida este ano. A venda antecipada, que garantiu preço melhor, foi de apenas 15%, na soja.
No milho, a venda após a colheita tem permitido cobrir o custo variável, mas não garante dinheiro para reinvestir muito na propriedade. Dados do Deral, mostram que o milho teve 24% de rentabilidade sobre o custo total da produção, no ano passado. Este ano a rentabilidade foi negativa em 29%. Na soja, a rentabilidade foi de 5% sobre o custo total, no ano passado, e de 0,18% nesta safra.
A incógnita é descobrir se o volume de produção conseguiu compensar o preço baixo. Para o engenheiro agronômono do Deral Otmar Hubner, o preço e a rentabilidade foram melhores no ano passado, mas esse resultado não foi bom para a economia. Muitos produtores tiveram perdas e não conseguiram colher, na safra passada. Parte da safra deste ano pagará dívidas contraídas no ano anterior, principalmente do milho safrinha e trigo, afirma Hubner.
O diretor do Departamento de Economia Rural, Richardson de Souza, avalia ser vantajoso uma safra superior, mesmo quando há menor preço. Quando a safra é maior é ano de fartura. A cadeia produtiva ganha, afirma. Ele diz que quando o preço dos produtos está baixo, a tendência é ocorrer uma melhora no varejo e para o consumidor final. Mas se for analisar o produtor isoladamente, os números não são animadores. No caso do milho, as despesas de plantio e escoamento não foram cobertas ainda com a venda.
O grande risco do preço baixo é desestimular o produtor a plantar no ano seguinte. O produtor não pode olhar para o preço hoje. Tem que buscar informação para saber a tendência de comercialização futura, aconselha o professor de Comercialização da Universidade Federal do Paraná, Eugênio Stephanello.
Um dos fatores que traz impacto negativo para a economia é a perda de produção ao longo de seu transporte. Não há dados oficiais sobre o quanto se desperdiça, mas está em torno de 2,5% do que se colhe. O índice já foi bem maior, chegando a 5% há alguns anos. Por problemas de transporte e armazenagem, muitos grãos colhidos não chegam ao seu destino final.
Eugênio Stephanelo avalia que 50% dos armazéns em todo o País não têm infra-estrutura adequada. Pelo menos metade dos armazéns poderia ser modernizada para reduzir perdas, afirma Stephanelo. A capacidade de armazenamento no Paraná é de 17,7 milhões de toneladas.


