Há dois anos em evidência no noticiário nacional, a Operação Lava Jato tem revelado ao longo de 24 fases um dos maiores esquemas de desvio de dinheiro público do País, a partir da Petrobras. Mesmo levando à cadeia políticos do alto escalão e empresários, além de envolver nomes da oposição, o abalo no poder pode não ser suficiente para um ruptura na forma de se fazer política.
Para o professor de sociologia da Universidade Mackenzie Rodrigo Augusto Prando, é preciso fortalecer a democracia. "A política não é culpada e estamos nessa situação porque faltou política, faltou o diálogo. Nesses últimos anos do governo, não houve diálogo, consensos, projetos."
Ele avalia que o debate nacional está reduzido a questões ideológicas e intolerâncias. "Quando você quer discutir política chamando um de coxinha e o outro de petralha, você se fecha, não quer dialogar. Em ciências sociais não tem exatidão, e sim posições que podem ser antagônicas."
A relação entre partidos deve ser valorizada, diz o professor de Filosofia da UEL, Elve Cenci. "É preciso ter uma governabilidade política entre os partidos, mas o problema é que a oposição tem trabalhado com a tese do caos." Cenci não vislumbra avanço no Congresso. "O PMDB e o PSDB já discutem um acordão se Dilma cair. Volta-se ao status quo anterior."
O secretário-geral da OAB em Londrina, José Carlos Vieira, vê instituições se fortalecendo, "o que é garantia de democracia", mas crê que a operação não encerre os problemas. "Tem de ter uma Lava Jato em cada estado."
Para o advogado constitucionalista Zulmar Fachin, "somente haverá uma mudança se for permanente, com respeito a direitos fundamentais, sem violar prerrogativas de cargos, porque nessa semana o cargo de presidente da República não foi respeitado". (E.F. e F.G.)

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