RUPTURA NACIONAL - 'Oposição ainda não aceitou a derrota'
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sábado, 19 de março de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba A dificuldade de a oposição aceitar a derrota nas urnas em 2014, somada à atitude de aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem contribuído para agravar a instabilidade política no País. A avaliação é do deputado federal Ênio Verri (PT-PR), que comanda o PT paranaense. "Nas últimas três vezes, eles assumiram que perderam de maneira mais tranquila. Desta, talvez pela votação mais acirrada, acordam todas as manhãs chiando."
De acordo com o petista, cabe aos parlamentares de outros partidos questionarem os rumos do governo e apresentarem alternativas, desde que de maneira responsável. "A Dilma ter convidado o Lula (para a Casa Civil) não ia mudar o cenário. O impeachment já tinha sido encaminhado pelo Cunha. Faltava apenas o Supremo determinar o rito. Mas tenho certeza que vamos resolver tudo daqui a nove sessões, quando haverá a votação. Teremos mais que 180 votos, o processo será arquivado e voltaremos à vida normal."
Para Verri, os protestos de junho de 2013, desencadeados após um aumento no preço das passagens de ônibus em São Paulo, foram muito democráticos. Os de agora, contudo, estariam beirando o fascismo. "São pessoas que também enxotaram o Alckmin e o Aécio da (Avenida) Paulista, o (José Carlos) Aleluia (DEM) no Nordeste... São contra tudo e não têm alternativa. Isso é um perigo." O parlamentar criticou ainda a atuação do juiz federal Sergio Moro, que tornou público áudios de conversa entre Lula e Dilma. "Ele extrapolou. Não está mais respeitando a Constituição e se transformou num militante político."
Quanto ao fato de o PT ter feito acordos em prol da governabilidade, Verri argumentou que o presidencialismo de coalizão existe no Brasil desde 1985. Entretanto, admitiu que o modelo precisa ser rediscutido. Por ora, ele defendeu que Lula assuma a coordenação política e se dedique a reconstruir a base. "Temos de pensar olhando os pés e a estrada. A curto prazo, se não resolver a crise conjuntural, não se resolve a crise estrutural." Já passado o momento mais conturbado, propõe "uma reforma política séria, com uma Constituinte exclusiva e que ouça o povo".


