Curitiba – A instabilidade política, que culminou com a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), é, segundo o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), fruto da má gestão e da incapacidade de articulação do PT. "Ela (Dilma) já tinha uma crise política, econômica e administrativa. E agora trouxe para dentro do governo a crise ética e moral – todos os problemas do Lula, de sua família e de seus associados", criticou, em relação à decisão de nomear o ex-presidente como chefe da Casa Civil. "Foi avisada por todo mundo, mas deu um abraço de afogado no Lula e o Lula nela", completou.
O londrinense é um dos 19 parlamentares paranaenses que, conforme o "Mapa do Impeachment", produzido pelo "Movimento Vem Pra Rua", apoiam hoje a destituição da presidente. Há ainda cinco indecisos e nove contrários, entre deputados e senadores. Os números, contudo, mudam a todo momento. A ferramenta é uma forma de seus criadores, conhecidos pela postura anti-PT, cobrarem os políticos. Hauly estima que a votação em plenário ocorra entre os dias 15 e 20 de abril. "Estamos trabalhando nome a nome. Acho que, ao final, serão 400 votos favoráveis ao impeachment", afirmou. De acordo com ele, tudo será feito dentro da legalidade. "Democracia não é o apego ao poder. Se o governo está indo de mal a pior, vai fazer seu povo sofrer?", questionou.
Entre os motivos citados para derrubar Dilma estão os já elencados no pedido, como as chamadas "pedaladas fiscais", o "processo de deterioração das contas" e a "inabilidade" em dialogar com prefeitos, governadores e outras lideranças. Para o tucano, se o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) assumir e "nada lhe pesar", poderá fazer um governo de coalizão. "Não sei se nós vamos participar ou não; eu defendo que não, a não ser que ele faça um pacto nacional envolvendo todos os segmentos da sociedade, para reescrever o País." Apesar de admitir a existência de uma crise no presidencialismo de coalizão, Hauly falou que o PSDB não aceita ser a solução para esse momento. "Tem que passar tudo isso, para depois sentarmos e discutirmos todas as reformas". (M.F.R.)

mockup