A rotina dos meninos que vivem na Chácara Quatro Pinheiros não lembra em nada o cotidiano que eles presenciavam nas ruas. Eles acordam cedo. Não porque são obrigados a sair da frente das lojas em que dormiram, mas porque começam a se aprontar para ir à escola. As atividades são bem semelhantes à vida familiar, ou pelo menos o que deveria ser o cotidiano de uma família. Eles arrumam suas camas, fazem a higiene pessoal e tomam um café reforçado, antes de caminharem os cerca de 800 metros que os separam da escola ou seguirem no ônibus da Prefeitura de Mandirituba.
Todo esse preparativo não é realizado sob um esquema linear ou rígido. As crianças vivem um ambiente descontraído, que pôde ser constatado pela equipe de reportagem da Folha. A equipe acompanhou as atividades dos meninos durante 24 horas. Nesse período, eles participaram de quase todas as atividades que são desenvolvidas na chácara. Horta, oficinas de cerâmica, informática, aulas de reforço, dinâmicas de grupo, refeições em conjunto, capoeira e, é claro, muito futebol.
O gosto pelo esporte é tão grande que já revelou craques. Adriano, de 16 anos, vai participar em agosto de testes para quatro times espanhóis e Eliton, 13, vai disputar o Campeonato Paranaense de Capoeira. O instrutor de capoeira Edemilson Cabral salienta que as atividades esportivas contribuem para o resgate social das crianças.
Antes de entrar em vigor a Portaria nº 6, de fevereiro deste ano, que determina idade mínima de 18 anos para determinados tipos de trabalho, os meninos ainda realizavam atividades em uma oficina mecânica e na granja que funciona na chácara. ‘‘Estamos tentando acordo para que eles possam continuar participando dessas oficinas’’, declara Fernando de Góis. (K.M.)

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