Rota ilegal envolve outros quatro países
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de março de 2014
(Equipe Bonde) 
Uma resolução do Conselho Nacional de Imigração do Ministério do Trabalho e Emprego, em 2013, determinou a emissão ilimitada de vistos até janeiro de 2014 pela embaixada brasileira no Haiti. Apesar disso, a maioria dos imigrantes encara uma rota alternativa para chegar ao território nacional devido a falta de recursos, a burocracia e a demora para a emissão do visto. O trajeto que começa em Porto Príncipe, no Haiti, passa por outros quatro países antes de chegar ao Brasil.
Fenelon Aldophe afirma que a viagem até o Acre foi o momento mais difícil até então. "De Porto Príncipe fui para Santo Domingo, na República Dominicana. Depois passei pelo Panamá, Equador e Peru". A falta de recursos dos imigrantes é um dos fatores que fazem com que a viagem se torne ainda mais longa e exaustiva. "As vezes chegamos em um lugar e acaba o dinheiro. Então temos que trabalhar para conseguir juntar e continuar a viagem".
A estadia no Peru é relembrada com tristeza por Fenelon. "Nos tiram tudo. Se tem dinheiro, pegam o dinheiro, se tem relógio pegam o relógio".
Ao chegar no Acre os haitianos são levados até um abrigo com capacidade para 400 pessoas, mas que sempre está superlotado. "No Acre é muito difícil. Há muitos problemas para comer, para dormir, para ir ao banheiro", conta Fenelon.
Longe da esposa e dos quatro filhos, Fenelon tem esperança de trazer a família ao Brasil, mas avisa que não vai permitir que os familiares façam o mesmo trajeto que ele fez. "Prefiro voltar do que ver minha família passar pelo que passei".


