RODOVIA DO CAFÉ - Há 50 anos, café impôs 'rodovia de integração'
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de julho de 2015
Widson Schwartz<br>Especial para a FOLHA
Liberada ao tráfego em 18 de julho de 1965 e inaugurada solenemente a 25, pelo presidente da República, marechal Castelo Branco, a Rodovia do Café, compreendendo 536 quilômetros da BR-376 de Curitiba a Maringá, supriu a "urgente necessidade de integrar o Paraná", dimensionou-a mais tarde Ney Braga, o governador que a concluiu em 87% da extensão.
Antes, "o morador de Jacarezinho ou de Londrina estava muito mais próximo de São Paulo que de Curitiba, existia até um movimento de criação do Estado do Paranapanema", segundo Ney. Para o economista Karlos Rischbieter, que atuou no governo estadual e ainda seria ministro da Fazenda, "a Rodovia do Café integrou o Estado economicamente e mesmo politicamente".
Ney desconsiderava a Estrada do Cerne, entregue pelo interventor Manoel Ribas em 1940 já para evitar "o divórcio entre o norte e o sul" e permitir ao "Paraná Velho" compartilhar a riqueza do café, exportando-o via Paranaguá. Uma estrada "feita a picareta", porém, com trechos muito acidentados e que permanecia sem asfalto. A construção vinha, lentamente, de governos anteriores, que abriu trechos entre São Luiz do Purunã e Apucarana (221 km), tendo "como objetivo principal a ligação direta do centro de gravidade das terras cafeeiras com o porto de Paranaguá, reduzindo em 115 km o caminho da exportação".
O sucessor, Moysés Lupion, pavimentou-a de Curitiba a São Luiz do Purunã passando por Campo Largo, pouco mais de 60 km.
Nos primeiros anos 1950, o governo Bento Munhoz havia asfaltado 35 quilômetros de trechos da "Paralela 1", a futura BR-369, "eixo da exportação dos cereais para São Paulo", ligando a região polarizada por Londrina a Ourinhos (SP).
"Não havia a ligação norte-sul", segundo Ney. "A produção do Norte era escoada através de São Paulo; a inexistência de ligação do Norte com o porto de Paranaguá chegava a ameaçar a unidade do Estado, estimulando movimentos separatistas."
Panorama em que "o norte cafeicultor era a região mais rica e de maior eleitorado do Paraná", expressão de Ney. Pela primeira vez, em 1960, um dos candidatos a governador não era de Curitiba: Nelson Maculan, de Londrina. Na região estavam 366.972 eleitores, 52% dos 724.019 no Estado.
A participação do Paraná nas exportações de café tinha evoluído de 18% (entre 8 milhões e 9,9 milhões de sacas) na década de 1950 para 27% (13,8 milhões de sacas) em 1962/64, volume relativamente baixo em se tratando do Estado que se convertera no maior produtor nacional.
Inaugurada a Rodovia do Café, a participação chegou a 33% (15,7 milhões de sacas), embora Santos mantivesse a liderança (40% ).
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