RITMO LENTO - Pós-graduação não acompanha boom das Engenharias
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sábado, 03 de março de 2012
Fábio Galão <br> Reportagem Local 
Com o recente boom da construção civil, o crescimento econômico, os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 e a descoberta do pré-sal, diversos especialistas se apressaram em alertar que o Brasil não estava formando engenheiros em número adequado à demanda que surgiria pelos próximos anos.
Segundo um estudo elaborado pelo Observatório da Educação em Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com base em dados do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2010 o País precisaria ter formado 20 mil engenheiros a mais dos que os pouco mais de 41 mil que concluíram a faculdade naquele ano, apesar do aumento expressivo no número de cursos de graduação e de estudantes na última década.
Esse gargalo reserva outra dificuldade: os mestrados e doutorados em Engenharias no Brasil não estão acompanhando o ritmo da graduação, nem o dos mestrados e doutorados em outras áreas de conhecimento.
Dados do Inep e do estudo da UFJF mostram que na década passada o número de estudantes matriculados em cursos de graduação nas diversas áreas da Engenharia em faculdades e universidades brasileiras cresceu 147% - passou de 199,2 mil alunos em 2001 para quase 493 mil em 2010.
A quantia de estudantes de mestrado ou doutorado em Engenharias também aumentou, mas a uma velocidade muito menor. De acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), no ano 2000 havia aproximadamente 17,6 mil alunos de mestrado ou doutorado em Engenharias em todo o Brasil. Dez anos depois, eram 25,4 mil estudantes, o que representa uma variação de 44%. Ou seja, uma diferença de mais 100 pontos percentuais na comparação com as graduações.
Esse crescimento também é inferior ao registrado no mestrado e doutorado de outros setores. Segundo as estatísticas da Capes, em 2010 o número total de estudantes de mestrado ou doutorado no Brasil era 83% maior do que em 2000, quase o dobro da variação na área de Engenharias.
Das nove áreas de conhecimento divididas nas estatísticas da Capes (multidisciplinar, Linguística, Letras e Artes, Ciências Biológicas, Agrárias, Exatas e da Terra, da Saúde, Sociais Aplicadas, Humanas e Engenharias), o setor de Engenharias foi o que registrou o menor aumento proporcional no número de estudantes.
Em 2000, as Engenharias eram a área que tinha o maior número de alunos no mestrado ou doutorado. Em 2010, havia caído para segundo: Ciências Humanas, com 28,5 mil mestrandos ou doutorandos, estava na liderança. A participação das Engenharias no número total de estudantes caiu de 19% para 15%.
Ainda segundo a Capes, o Brasil possui atualmente 515 cursos de mestrado, doutorado ou mestrado profissional em Engenharias. É menos do que a oferta em Ciências da Saúde (851 cursos), Humanas (712), Agrárias (586) e Sociais Aplicadas (559), além da grande área multidisciplinar (540).


