O professor Estevam Barbosa de Las Casas, coordenador das Engenharias I da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), concorda que, considerando que esta deve ser uma década que exigirá muitos investimentos em infraestrutura e tecnologia no Brasil, é problemático que os mestrados e doutorados na área não estejam acompanhando o ritmo da graduação.
  ‘‘Uma das razões é que o valor das bolsas de estudo para pós-graduação está defasado, e o apelo do mercado atrai para si muitos dos melhores candidatos em perspectiva à pós-graduação’’, explica Las Casas. O coordenador pondera que o número de engenheiros, apesar do crescimento da quantidade de estudantes tanto na graduação quanto no mestrado e doutorado, continua ‘‘insuficiente em um momento em que o País vem crescendo e se modernizando’’.
  ‘‘Isto se nota em todas as áreas, e de forma pronunciada naquelas afeitas à infraestrutura, caso das Engenharias Civil e de Meio Ambiente, Engenharia de Petróleo, Geologia e Computação. Contribui para isto uma imagem dos cursos como ‘difíceis’ , e uma precária formação dos estudantes de segundo grau em matemática e física’’, aponta.
  Las Casas cita que uma das principais iniciativas do Governo Federal para aprimorar os engenheiros formados e tornar os cursos mais atrativos é o programa Ciência Sem Fronteiras, que envia estudantes das áreas tecnológicas para estágios em instituições de ensino no Exterior.
  ‘‘Além disso, vários cursos vêm buscando com sucesso parcerias com o setor produtivo para complementar recursos para a área. Um eventual reajuste dos valores das bolsas seria interessante, mas o sistema não suporta competir com o mercado neste momento onde a demanda por bons profissionais encontra-se aquecida’’, justifica o coordenador.
  ‘‘A Capes e o governo vêm buscando privilegiar as áreas tecnológicas, sem prejuízo dos recursos para as demais, em um esforço de indução. A fixação de docentes e a busca da garantia de sua dedicação à pesquisa também devem ser consideradas, diante do quadro atual onde engenheiros são trazidos do Exterior para suprir as necessidades de áreas estratégicas da economia’’, afirma Las Casas.
  ‘‘A busca de profissionais e pesquisadores bem formados no Exterior, apesar de não ser solução quando considerada isoladamente, pode ser mais uma iniciativa interessante, e é um dos objetivos do programa Ciência Sem Fronteiras. O Brasil, que por décadas perdeu profissionais para o Primeiro Mundo, tem agora uma oportunidade de repatriá-los oferecendo boas condições de trabalho, e tentar atrair pesquisadores e engenheiros estrangeiros’’, finaliza o coordenador.

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