Riscos maiores para mãe e bebê
Fim abrupto da infância, educação reduzida, perda de oportunidades. As mudanças nas perspectivas de vida são profundas mas não são os únicos efeitos preocupantes da gravidez precoce. Há também os aspectos relacionados à saúde, tanto da adolescente quanto do bebê. Como muitos casos são caracterizados pela falta de informação, é comum a adolescente demorar para procurar assistência médica para o pré-natal, por exemplo. Algumas nem chegam a fazê-lo.
No Relatório sobre a Situação da Adolescência Brasileira 2011, o Unicef alerta que, em se tratando do grupo de meninas até 15 anos, apenas 38% das futuras mães tiveram pelo menos sete consultas pré-natais. Quando se analisa o grupo etário completo das adolescentes de 12 a 17 anos , esse índice sobe para 43,5%.
O presidente da Comissão de Urgências Obstétricas da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Eduardo Cordioli, alerta que os riscos clínicos existem tanto para a mãe quanto para o bebê. "Nesta faixa etária são maiores as chances de diabetes gestacional, pré-eclâmpsia (hipertensão arterial específica da gravidez) e restrição do crescimento ou prematuridade do bebê", enumera o médico. Segundo ele, alguns destes problemas são causados por deficiências nutricionais da gestante e pelo fato de o próprio organismo da futura mãe ainda estar em desenvolvimento. "O melhor período para a mulher gerar um filho é entre 18 e 28 anos." Cordioli também informa que são mais comuns, entre as adolescentes, os casos de dificuldade para amamentar.
O obstetra destaca ainda outro aspecto preocupante relacionado à gravidez na adolescência: a subnotificação dos casos. "Há casos de abortos clandestinos e até mortes decorrentes de procedimentos mal feitos, que não entram nas estatísticas oficiais. Existe uma triste realidade, que acomete principalmente a camada mais carente da população, que exige uma profunda discussão por parte da sociedade", diz Cordioli. Ele lembra que muitos abortos feitos em adolescentes por "curiosas" e clínicas clandestinas, quando não levam à morte por complicações como infecções graves, deixam sequelas irreversíveis.
De acordo com dados do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), anualmente, em todo o mundo, cerca de 16 milhões de meninas com menos de 18 anos dão à luz e outras 3,2 milhões se submetem a abortos inseguros. (S.L.)





