Umidade e altas temperaturas impõem um ambiente favorável para um dos maiores vilões da saúde pública do Brasil, o mosquito transmissor da dengue. Por isso, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) fez uma parceria com o Laboratório de Climatologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para emitir um boletim de alerta climático sobre o risco da doença.
Ivana Lúcia Belmonte, chefe do centro de Vigilância Ambiental da Sesa, explica que é feita uma comparação entre a temperatura e a quantidade de chuva prevista para identificar o risco de proliferação do mosquito transmissor em 18 estações meteorológicas. No último boletim divulgado, havia 14 estações com médio risco – incluindo Londrina – e quatro com alto risco, nos municípios de Guaíra, Foz do Iguaçu e Santa Helena, no Oeste, e Guaratuba, no Litoral.
Os dados da secretaria também apontam que houve aumento dos casos da doença. De agosto de 2014 a agosto de 2015 houve 35.433 notificações e 24 mortes, contra 19.626 casos e nove óbitos no mesmo período do ano anterior.
"O mosquito necessita de condições de clima que envolvem muita umidade e altas temperaturas para se desenvolver, por isso o El Niño influencia na proliferação dos insetos, apesar de sabermos que ele foi se adaptando também às regiões mais frias, o que fica evidente no aumento, a cada ano, do número de municípios com infestação", aponta.
As medidas de prevenção, segundo Ivana, são adotadas todos os anos. Quando há previsão de muita chuva, entretanto, o alerta já sai no boletim emitido pela secretaria a partir do mapa meteorológico. "É um alerta a todos, para os municípios ficarem sabendo que vão enfrentar situação de maior risco. Todos os anos a gente se prepara para grandes epidemias. É o clima que vai nos dizer se vai ocorrer", diz.
Em anos com maior risco, a recomendação é intensificar a remoção dos criadouros, pois a chuva favorece o acúmulo de água que intensifica a proliferação do vetor. "Acreditamos que os municípios já estejam adotando as medidas preventivas", espera, detalhando que o plano de contingência requer monitoramento da curva de casos e do índice de infestação. A recomendação, segundo ela, é continuar realizando as visitas domiciliares para orientação e eliminação de criadouros, além de prever as ações que serão necessárias caso cresça a infestação ou a curva de casos. (C.A.)

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