RISCO - Faltam equipamentos para combate a incêndios aéreos
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sábado, 28 de setembro de 2013
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Bombeiros da grande maioria dos municípios do Paraná estão desprovidos de uma ajuda valiosa para combater incêndios aéreos ou realizar resgates em edificações muito elevadas. Com exceção de Cascavel e Curitiba, todas as outras cidades não possuem plataformas ou escadas mecânicas que facilitam a realização deste tipo de ação. Levantamento da FOLHA constatou que, no Estado, os grupamentos do Corpo de Bombeiros de Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel possuem plataformas mecânicas, mas apenas o equipamento de Cascavel está apto a ser utilizado com segurança. Nos outros locais, a dificuldade de manutenção aliada à idade das plataformas torna o uso inviável. Em Curitiba, conforme o Major Gabriel Mocelin Junior, chefe da 4ª Seção do Corpo de Bombeiros do Paraná, há em funcionamento apenas uma escada mecânica para o combate a incêndios ou resgates em locais muito altos.
Diante da defasagem, o Estado está licitando a compra de três novas escadas mecânicas, cujo orçamento total é de quase R$ 10 milhões. Uma delas vai ficar em Curitiba e as outras duas serão enviadas para algum dos outros quatro maiores municípios, mas o destino ainda não está definido. "O critério é do comando, que deve se basear em estatísticas e na estrutura disponível para receber o equipamento", adiantou.
Segundo Mocelin, o equipamento é útil para facilitar o combate a incêndios ou o resgate de vítimas em locais altos, como prédios, silos agrícolas e grandes construções industriais ou comerciais. "São situações de exceção. As plataformas são úteis no caso de risco de desabamento, para preservar a integridade dos próprios bombeiros", exemplifica, acrescentando que, na maioria das vezes, o combate ao fogo é feito de dentro para fora. "A rede de hidrantes da edificação acaba sendo mais importante para a realização do serviço", avalia.
A possibilidade de receber uma das escadas gera expectativa entre os grupamentos do interior. Em Londrina, a plataforma mecânica do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros foi adquirida na década de 1990 e utilizada pela última vez no incêndio do Cine Teatro Ouro Verde, em fevereiro do ano passado. O equipamento quebrou naquela ocasião e permanece parado, sem condições de ser consertado. De acordo com Rodrigo Nakamura, chefe de logística do 3º Grupamento, como o Brasil não fabrica veículos específicos para uso dos bombeiros, os equipamentos disponíveis são adaptados por empresas terceirizadas, o que dificulta a licitação da manutenção especializada.
O capitão explica que a plataforma de Londrina foi adaptada em um caminhão de concreto que, hoje, não tem mais condições de receber manutenção. "Trata-se de uma tecnologia ultrapassada", avalia. Segundo ele, a falta do equipamento não interfere diretamente no atendimento das ocorrências, visto que há outras estratégias de combate a incêndios a partir dos próprios sistemas de hidrantes dos edifícios. Incêndios em prédios muito antigos, que não passaram por adequações às normas de segurança, e o resgate de vítimas em locais altos são situações em que a escada pode ser especialmente útil.
Atualmente, o 3º Grupamento possui quatro caminhões de combate a incêndio, quatro ambulâncias disponíveis 24 horas e dois caminhões de apoio - um com capacidade para 20 mil litros de água e outro para 30 mil. Além disso, há dois caminhões de combate a incêndio no Aeroporto, cuja manutenção é responsabilidade da Infraero. A corporação possui ainda cinco ambulâncias e três caminhões reserva, que são veículos mais antigos usados quando os equipamentos mais novos estão em manutenção.
Nakamura salientou que a frota é mantida com recursos do Funrebom, repassados pelo município, que considera suficientes para garantir a estrutura básica para uma cidade como Londrina. "A necessidade de investimentos é alta", disse, exemplificando que apenas um kit completo para uso individual de um bombeiro custa em torno de R$ 8 mil. Já um caminhão equipado chega a custar mais de R$ 1 milhão.
Secovi
O vice-presidente do Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi) em Londrina, Nestor Correia, afirmou que a expectativa da entidade é que o Corpo de Bombeiros esteja apto para atender todos os tipos de ocorrências. "É obrigação do Governo do Estado aparelhar o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e todos os outros órgãos de segurança com os equipamentos necessários", opinou.
Correia lembrou que os prédios atuais, por outro lado, são construídos de acordo com normas rígidas de segurança, o que implica na existência de sistema de prevenção a incêndios bastante eficientes. "Nos prédios muito antigos pode haver dificuldades, mas a maioria deles são baixos", disse.


