Bombeiros da grande maioria dos municípios do Paraná estão desprovidos de uma ajuda valiosa para combater incêndios aéreos ou realizar resgates em edificações muito elevadas. Com exceção de Cascavel e Curitiba, todas as outras cidades não possuem plataformas ou escadas mecânicas que facilitam a realização deste tipo de ação. Levantamento da FOLHA constatou que, no Estado, os grupamentos do Corpo de Bombeiros de Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel possuem plataformas mecânicas, mas apenas o equipamento de Cascavel está apto a ser utilizado com segurança. Nos outros locais, a dificuldade de manutenção aliada à idade das plataformas torna o uso inviável. Em Curitiba, conforme o Major Gabriel Mocelin Junior, chefe da 4ª Seção do Corpo de Bombeiros do Paraná, há em funcionamento apenas uma escada mecânica para o combate a incêndios ou resgates em locais muito altos.
Diante da defasagem, o Estado está licitando a compra de três novas escadas mecânicas, cujo orçamento total é de quase R$ 10 milhões. Uma delas vai ficar em Curitiba e as outras duas serão enviadas para algum dos outros quatro maiores municípios, mas o destino ainda não está definido. "O critério é do comando, que deve se basear em estatísticas e na estrutura disponível para receber o equipamento", adiantou.
Segundo Mocelin, o equipamento é útil para facilitar o combate a incêndios ou o resgate de vítimas em locais altos, como prédios, silos agrícolas e grandes construções industriais ou comerciais. "São situações de exceção. As plataformas são úteis no caso de risco de desabamento, para preservar a integridade dos próprios bombeiros", exemplifica, acrescentando que, na maioria das vezes, o combate ao fogo é feito de dentro para fora. "A rede de hidrantes da edificação acaba sendo mais importante para a realização do serviço", avalia.
A possibilidade de receber uma das escadas gera expectativa entre os grupamentos do interior. Em Londrina, a plataforma mecânica do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros foi adquirida na década de 1990 e utilizada pela última vez no incêndio do Cine Teatro Ouro Verde, em fevereiro do ano passado. O equipamento quebrou naquela ocasião e permanece parado, sem condições de ser consertado. De acordo com Rodrigo Nakamura, chefe de logística do 3º Grupamento, como o Brasil não fabrica veículos específicos para uso dos bombeiros, os equipamentos disponíveis são adaptados por empresas terceirizadas, o que dificulta a licitação da manutenção especializada.
O capitão explica que a plataforma de Londrina foi adaptada em um caminhão de concreto que, hoje, não tem mais condições de receber manutenção. "Trata-se de uma tecnologia ultrapassada", avalia. Segundo ele, a falta do equipamento não interfere diretamente no atendimento das ocorrências, visto que há outras estratégias de combate a incêndios a partir dos próprios sistemas de hidrantes dos edifícios. Incêndios em prédios muito antigos, que não passaram por adequações às normas de segurança, e o resgate de vítimas em locais altos são situações em que a escada pode ser especialmente útil.
Atualmente, o 3º Grupamento possui quatro caminhões de combate a incêndio, quatro ambulâncias disponíveis 24 horas e dois caminhões de apoio - um com capacidade para 20 mil litros de água e outro para 30 mil. Além disso, há dois caminhões de combate a incêndio no Aeroporto, cuja manutenção é responsabilidade da Infraero. A corporação possui ainda cinco ambulâncias e três caminhões reserva, que são veículos mais antigos usados quando os equipamentos mais novos estão em manutenção.
Nakamura salientou que a frota é mantida com recursos do Funrebom, repassados pelo município, que considera suficientes para garantir a estrutura básica para uma cidade como Londrina. "A necessidade de investimentos é alta", disse, exemplificando que apenas um kit completo para uso individual de um bombeiro custa em torno de R$ 8 mil. Já um caminhão equipado chega a custar mais de R$ 1 milhão.

Secovi
O vice-presidente do Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi) em Londrina, Nestor Correia, afirmou que a expectativa da entidade é que o Corpo de Bombeiros esteja apto para atender todos os tipos de ocorrências. "É obrigação do Governo do Estado aparelhar o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e todos os outros órgãos de segurança com os equipamentos necessários", opinou.
Correia lembrou que os prédios atuais, por outro lado, são construídos de acordo com normas rígidas de segurança, o que implica na existência de sistema de prevenção a incêndios bastante eficientes. "Nos prédios muito antigos pode haver dificuldades, mas a maioria deles são baixos", disse.

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