Depois de visitar Japira (260 km de Londrina), na quarta-feira da semana passada, a reportagem foi a Santo Inácio (120 km). As diferenças são visíveis. Em Santo Inácio, há grandes supermercados, lojas maiores e pouca gente parada na rua. Enquanto o PIB de Japira fechou em R$ 67,8 milhões em 2012, o de Santo Inácio chegou a R$ 297,8 milhões. Per capita, são R$ 56,3 mil contra R$ 13,8 mil. No primeiro município, o Bolsa Família atende 300 famílias, no segundo, só 58 utilizam o benefício do Governo Federal.

A industrialização de Santo Inácio faz a diferença. Em 2006, a cidade ganhou uma unidade da Usina Alto Alegre. Em 2012, a então BR Frango (hoje JBS) instalou uma fábrica na cidade. A JBS também comprou o antigo laticínio Vigor. Juntas, as três fábricas oferecem cerca de 1.200 empregos industriais, sem contar os de logística e os da roça. Só a antiga BR Frango emprega 600 pessoas. No ano que vem, segundo o prefeito de Santo Inácio, Valdir Turcato (PSD), serão mil vagas. "O desemprego aqui é zero. Só não trabalha quem não quer."

Tucarto diz que não há mão de obra suficiente na cidade para atender às fábricas. "Mais ou menos mil trabalhadores vêm de fora", afirma. Segundo a prefeitura, com 575 colocações feitas em 2014, a Agência do Trabalhador do município é a quinta que mais efetivou vagas no Estado. O prefeito diz que tem se esforçado para construir casas pelo Programa Minha Casa Minha Vida e assim atrair novos moradores para Santo Inácio.

Recém-contratado pela JBS, Igor da Costa Januário, 19 anos, está contente com a nova função. Ele trabalhava na montagem de granjas e agora está na linha de corte da indústria. "Quero continuar aqui, se Deus quiser." Outro jovem, Felipe de Souza Santos, 18 anos, deixou as faxinas em casas de família para trabalhar na JBS. "Acho que aqui tenho perspectivas de melhorar." Anderson Pereira, 25 anos, largou a lavoura para trabalhar na fábrica há dois meses. "Aqui é mais garantido."

Segundo os funcionários, o salário na fábrica é de R$ 970. Há um benefício de R$ 125 para quem não tiver nenhuma falta no mês, além de cesta básica.

A forte atividade industrial em Santo Inácio repercutiu sobre o comércio. Paulo Vidotto, presidente da associação comercial da cidade e dono de um supermercado, diz que o varejo "melhorou muito" desde que as fábricas foram instaladas no município. "Em 2007, tínhamos dois supermercados, hoje são cinco. Tínhamos três farmácias, hoje são cinco", exemplifica.

De acordo com Vidotto, a cidade também passou por uma valorização imobiliária muito grande. "Há oito anos, um terreno na avenida principal custava R$ 30 mil. Hoje, vale R$ 150 mil", estima. Ele acredita que o comércio gere 500 vagas na cidade. (N.B.)

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