RIQUEZA - Do mesmo tamanho, mas muito diferentes
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domingo, 21 de dezembro de 2014
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Elas têm o mesmo tamanho, pouco mais de 5 mil habitantes, mas as semelhanças não vão além da demografia. Santo Inácio, cidade pertencente à mesorregião Norte Central, localizada na divisa com São Paulo (120 km de Londrina), industrializou-se nos últimos anos e viu sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) estadual aumentar 152% de 2002 a 2012. Japira, no Norte Pioneiro, não sedia nenhuma grande empresa, e foi um dos municípios que mais perderam participação no PIB: 75%.
"Aqui não tem emprego. Só na fábrica de costura. Ou então, tem de ir trabalhar em Ibaiti", conta Patrícia Borges, 22 anos. Aos 18, ela deixou Japira para trabalhar em Curitiba. Depois, morou em Ribeirão Preto (SP) e Balneário Camboriú (SC). Quando ganhou sua primeira filha, resolveu deixar o emprego e voltar para a casa dos pais. A jovem gosta muito da cidade, que "tem um ótimo sistema de saúde", mas não vê futuro profissional. Sua mãe, Rosângela Borges, 50 anos, diz que Japira é uma boa cidade, mas não para trabalho. "Aqui tem de trabalhar na roça, na prefeitura, ou nas cidades vizinhas", afirma.
Apesar de um PIB per capita de apenas R$ 13,8 mil, Japira não parece tão pobre. A cidade está bem cuidada, com casas bonitas e ruas com canteiro central florido. A exceção é para um pequeno bairro que lembra as favelas das cidades grandes. Ali, Rosimara de Oliveira, 39 anos, cria quatro filhos. O marido é dono de uma pequena loja de móveis usados e o casal recebe R$ 182 de Bolsa Família. "Se um dia eu puder trabalhar, tem de ser na fábrica de costura. Não tem outro local", declara.
Já o aposentado Oscar Wenceslau Filho, 76 anos, diz que, em Japira, só tem "serviço braçal". Apesar disso, ele considera que a cidade "cresceu bastante". "E agora, tem a fábrica de costura para as pessoas trabalharem", ressalta.
A fábrica de costura é a Confecção VP, aberta na cidade há dois anos e meio. Hoje, tem 135 empregados. Ali, ganham piso de costureiro, de R$ 834, segundo a encarregada de produção Lana Baum. "Quando a gente começou, todo mundo vinha trabalhar a pé. Agora, a maioria já tem moto", afirma. A empresa, que fabrica calças jeans, tem planos para 2014. "No começo do ano, abriremos o setor de lavanderia e o número de empregados vai subir para 230", revela.
O secretário municipal de Finanças Eugênio Neto não acredita que Japira tenha empobrecido tanto. Segundo ele, o IBGE divulgava um PIB superestimado da cidade. "Havia uma cooperativa que descarregava nota fiscal aqui, mas não atuava na cidade. O que aconteceu é que nós corrigimos essa distorção", afirma. De fato, de 2005 para 2006, segundo o IBGE, o PIB de Japira despencou de R$ 141 milhões para R$ 28 milhões. Em 2012, chegou a R$ 67,9 milhões.
Mas o secretário admite que a cidade não oferece empregos. "Não temos nem arrecadação própria, só FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Levamos pessoal daqui para trabalhar em Joaquim Távora", conta.


