A possibilidade de se descobrir uma vacina para a Aids é desconhecida enquanto a doença entra em sua terceira década. Revoluções não podem ser previstas, nem os reveses. Mas aqui estão outras questões – e possíveis respostas sobre o futuro da Aids.
Um dia existirá uma vacina para a Aids? ‘‘É claro. A questão é saber quanto esforço e quanto tempo serão necessários’’, diz Seth Berkley, presidente da International Aids Vaccine Initiative. Ao longo dos anos, pesquisadores sempre se questionaram sobre se isto seria possível. Vacinas normais fazem com que o organismo produza anticorpos para bloquear a infecção. Infelizmente, os seres humanos parecem incapazes de produzir anticorpos poderosos o bastante para conter o HIV.
Sem isso, a vacina ainda é improvável. Mas os pesquisadores estão empolgados. Em testes realizados em macacos, diversas vacinas experimentais parecem funcionar. Apesar de não evitarem a infecção, elas contêm o vírus ativando glóbulos brancos protetores chamados células assassinas. Normalmente, essas vacinas misturam genes do vírus da Aids com o de algum micróbio, como na vacina contra a varíola. Não se sabe se isto funcionará em seres humanos. Mas se os testes prosseguirem no ritmo atual, Berkley afirma que uma nova geração de vacina estará disponível dentro de cinco ou seis anos.
Quanto tempo vive uma pessoa com Aids? Os temores sobre a diminuição do efeito dos remédios contra a Aids não se comprovaram. A maior parte dos pacientes passa bem, apesar dos temores com relação a possíveis efeitos colaterais no longo prazo. ‘‘Gostaria de acreditar que as pessoas sobrevivessem por 35 ou 40 anos com o uso de drogas antivirais, mas ainda há dúvidas por causa do alto nível tóxico desses remédios’’, comenta Anthony Fauci, chefe do Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos.
Alguns dos efeitos colaterais que fazem as pessoas desistirem do tratamento são redistribuição anormal da gordura pelo corpo e diversas complicações metabólicas, como excesso de açúcar no sangue e colesterol. O afinamento dos ossos é o sintoma mais recente.
Haverá novos tipos de drogas contra a Aids? Todas as 14 drogas contra a Aids atualmente no mercado atacam uma das duas enzimas utilizadas pelo HIV para se reproduzir. São elas a protease e a transcriptase reversa. Empresas farmacêuticas trabalham em novos remédios com a mesma função, inclusive algumas que funcionam contra cepas resistentes do vírus. Também em teste estão medicamentos que exploram diversos alvos do ciclo vital do vírus.
A cura para a Aids será descoberta? É improvável, pelo menos da forma como o vírus é observado hoje pelos especialistas. O motivo: o HIV se estabelece na memória do sistema imunológico, células de vida longa que mantêm os registros de todos os micróbios encontrados pelo organismo durante a vida de um indivíduo. Robert Siliciano, da Universidade Johns Hopkins, calcula serem necessários 73 anos para que essas células de memória morram totalmente, o que ‘‘garante essencialmente a persistência do vírus durante toda a vida’’.
David Ho, do Centro de Pesquisas Aaron Diamond Aids, em Nova York, acredita que as células de memória tenham vida mais curta. Ele testa uma combinação superpotente de drogas cujo objetivo é romper o ciclo, permitindo a morte de todas as células de memória infectadas pelo HIV, dentro de três ou quatro anos. Mesmo assim, o HIV pode se esconder em qualquer parte do corpo. Se a estratégia funcionar, a Aids não precisará necessariamente ser curada. (AE/AP)

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