Reserva quer explorar
o ecoturismo na região
Segundo os índios, a Hidrelétrica de São Jerônimo também pode comprometer parte do projeto de aproveitamento ecoturístico da reserva – encarada como possível alternativa econômica pelos próprios índios.
Em fase preliminar de discussão entre técnicos da Prefeitura de Londrina, Universidade Estadual de Londrina, Universidade Norte do Paraná (Unopar) e os líderes caingangues, o projeto não agrada a Funai, temerosa de que a exploração da área seja feita de forma desordenada e que afete o ecossistema da reserva.
O projeto prevê construção de mirantes, adequação de pontes, sinalização de trilhas, dois barcos para passeios turísticos e a criação de uma praia artificial.
O Salto Apucaraninha, vistosa cachoeira de 116 metros de altura próximo a entrada da aldeia, se manterá intacto, mas a exploração do cânion onde ele deságua pode ser comprometida com a formação do reservatório, o que diminuiria o interesse, o tempo de permanência e, consequentemente, a receita com a venda de alimentos e produtos de artesanato para os grupos de turistas.
Mas o que mais atrai os índios em uma possível exploração turística do salto e adjacências é a possibilidade de que a estrada que liga Tamarana a aldeia seja asfaltada, reivindicação antiga dos caingangues.
‘‘Com os turistas aumentam nossas esperanças. Como o governo só sabe ouvir e fazer coisas para os brancos, talvez eles asfaltem a estrada logo que o projeto sair do papel e os turistas começarem a chegar’’, conforma-se o cacique da tribo, Juscelino Jênjéra, 28 anos.
A estrada é de importância estratégica para os planos de desenvolvimento da agricultura e para a locomoção das 30 famílias envolvidas com a produção de peças de artesanatos vendidas em Londrina e em outras cidades do estado. A pavimentação também teria impacto positivo para o transporte de estudantes de 2º grau da reserva, que diariamente se deslocam até Tamarana. (L.F.M.)

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