Renda do produtor é transferida para cadeia produtiva
A agricultura é uma das principais alavancas da economia paranaense. Mas na avaliação de quem trabalha com o setor, nem sempre o produtor rural é quem se beneficia. Em muitas vezes, há a transferência para outros segmentos, afirma o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), Richardson de Souza. Ele cita como exemplo a movimentação de caminhões em direção ao Porto de Paranaguá.
Somente nesta etapa do processo de escoamento da safra, aumentam a circulação de dinheiro entre as transportadoras, o comércio de beira de estrada, a manutenção de caminhões e rodovias, o segmento de combustíveis, entre outros. O aquecimento é tanto no mercado formal quanto no informal. A economia paranaense se transforma na época da safra, diz Souza.
O professor de Comercialização da Universidade Federal do Paraná, Eugênio Stephanelo, confirma a importância da safra agrícola como alavanda para a economia estadual. Ele considera o Paraná como um Estado que ainda é movido pelo campo, ao contrário do que prega o Estado que afirma ter ocorrido uma mudança no perfil econômico estadual, com a nova onda de industrialização.
Stephanelo diz, no entanto, que é mito a idéia de que o produtor, ao receber o dinheiro da safra, sai gastando descontroladamente pela cidade. Temos que desmistificar essa tese de que o dinheiro vai direto para a concessionária de automóveis para a compra do carro novo, exemplifica. Com o crédito agrícola mais curto e com juros altos, o produtor tem concentrado maior parcela dos seus lucros na propriedade, diz o professor.
Não há estudo para saber o percentual de dinheiro da safra que é reaplicado na fazenda. Acredito que uma grande parcela volta para a propriedade, defende Stephanelo. (C.M.)





