Em uma época em que as notícias correm o mundo em questão de minutos e uma rede invisível de um bilhão de pessoas de todo o planeta permite encontros e reencontros antes improváveis, não utilizar mecanismos virtuais para ''turbinar'' o convívio social soa quase como uma heresia. Mesmo assim há quem nunca tenha se rendido aos encantos do Facebook ou tenha desistido dele, sem intenção de recuperar o perfil. Os motivos para isso são diversos, e vão desde a preocupação com o excesso de exposição até a simples constatação de que é perfeitamente possível viver sem a ferramenta.

''Meus amigos brincam, dizem que vão fazer uma campanha para que eu entre no Facebook, porque sou o único que não tem. Eles até se oferecem para criar o meu perfil'', conta o produtor musical e vocalista da Banda Pedrera Júlio Anizelli, de 40 anos. Ele se diverte com a insistência, mas mantém-se irredutível: ''Nunca tive e não pretendo ter''. No seu caso, os motivos não estão ligados à falta de intimidade com a tecnologia, mas ao seu intenso convívio com ela. ''Uso computador o dia inteiro para trabalhar. A última coisa que quero, quando chego em casa à noite, é continuar olhando para uma tela. Prefiro conversar com minha mulher, descansar'', argumenta Anizelli.

Ele revela que também nunca teve Orkut, nem Twitter. ''O máximo que uso é e-mail. É por ele, ou pelo telefone, que converso com meus clientes e com meus amigos. Todos já sabem disso, e não sinto necessidade de fazer parte de uma rede social. Hoje em dia parece que todo mundo se sente obrigado a isso. Penso que há várias formas de uma informação chegar até mim. Se não chegar, é porque não é essencial'', argumenta.

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