Milton DóriaCom mais de 300 anos, guarda-comida, decora sala de estar e abriga outros objetos antigosAlguns os colocam em suas casas por se sentirem atraídos pela beleza rústica. Poucos se dão conta de que os móveis antigos são um testemunho da História. Eles encerram fragmentos de usos e costumes de nossos ancestrais que não foram presenciados pelos vivos de hoje. Decorar um ambiente com uma peça de 200 anos, por exemplo, é bem mais do que ter uma preocupação estética, mas sim um senso de preservarção da cultura e tradição de um povo. É inserir no nosso cotidiano uma sutil presença de nossos ancestrais.
Em uma mesa pé-de-mula mineira de 100 anos, por exemplo, pode estar contida toda a tradição de trabalho das mulheres mineiras no feitio de queijos. Um guarda-comida de 300 anos, traz um pouco de um tempo em que as geladeiras nem existiam. Uma arca de mais de 100 anos nos remete ao tempo em que jovens donzelas guardavam, com zelo, o enxoval para o casamento.

Milton DóriaA mesa Pé-de-Mula era utilizada em Minas Gerais, no século passado, para o feitio de queijosCada um destes móveis trazem ainda uma fusão de culturas. Pina Baroni tem toda a sua casa decorada com móveis antigos dos mais diversos estilos, épocas e países. Grande conhecedora do assunto - ela tem um antiquário no interior de São Paulo há mais de 30 anos - Pina explica que os móveis brasileiros antigos foram sendo confeccionados a partir de influências dos imigrantes que chegavam no Brasil.
A corte portuguesa trouxe seus móveis com estilos diversos: Dom João V, Maria I, Dona Emanuelina, entre outros. O nome dos estilos eram dados de acordo com os governantes da época. Os brasileiros receberam, também dos portugueses, a herança do estilo barroco, mais torneado e pesado, assim como da Sicília, na Itália. Os padres traziam as técnicas e os móveis eram confeccionados artesanalmente.

Milton DóriaO antigo confessionário se transforma em uma espécie de cristaleira que compõe a decoração da sala de jantarO estilo estético dos móveis antigos brasileiros foram herdados dos diversos povos que chegaram ao País. ‘‘Há uma fusão de estilos. Cada um colocou o seu coração na peça que fez’’, afirma. Mas é fácil diferenciar um móvel antigo brasileiro de um europeu. O brasileiro é feito em madeira maciça, jacarandá, por exemplo, enquanto o europeu é confeccionado em madeira mais pobre e recoberto com uma película, segundo Pina Baroni.
Esta fusão de culturas pode ser vista claramente na casa de Pina. Diversos móveis mineiros decoram seu apartamento, junto com móveis antigos europeus: franceses, holandeses, ingleses, orientais, italianos. Nascida na Itália, ela faz questão de preservar as tradições de seu país. Quando veio para o Brasil, há 40 anos, trouxe alguns móveis de sua família. É parte da história de Pina e de seus ancestrais que está naquelas peças.
Mas Pina tem uma paixão especial pelos móveis antigos brasileiros, especialmente os de Minas Gerais. Um confessionário, no apartamento da colecionadora, se transforma em uma espécie de cristaleira que guarda objetos árabes, ingleses, franceses.
O armário da cozinha é um antigo armário de farmácia. A cabeceira da cama de casal é parte de uma mesa de igreja no estilo de Aleijadinho. Anjos barrocos que estiveram guardando igrejas mineiras agora estão nos quartos do apartamento de Pina Baroni. ‘‘Tudo isto é história’’, afirma. Diante de tanta beleza ela lamenta: falta ao brasileiro esta cultura. ‘‘É um país lindo (o Brasil), mas falta arte’’, observa.
‘‘O Brasil tem móveis antigos belíssimos’’, diz. ‘‘É uma pena que o brasileiro não tenha a cultura de adquiri-los’’. Os móveis antigos, dificilmente são encontrados, em antiquários por menos de R$ 1.000,00. Mas Pina Baroni rebate: ‘‘Muitas pessoas com condições (financeiras) para obter uma destas peças, prefere investir em um carro do ano’’.
ONDE ENCONTRAR:
M Gabriel Antiguidades - rua Pará, 1.559 lj A. Fone 322 4994
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