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O Núcleo de Estudos e Defesa dos Direitos da Infância e Juventude (Neddij), ligado à Universidade Estadual de Londrina (UEL), oferece acompanhamento jurídico gratuito para famílias que precisam resolver conflitos judiciais. A coordenadora do órgão, Claudete Canezin, revela que os processos de reconhecimento de paternidade e cobrança de pensão alimentícia ainda perfazem a maior parte dos casos, mas as queixas de abandono afetivo parental começam a ganhar destaque na rotina da instituição. Dados do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná mostram que, até 18 de outubro deste ano, havia 7.523 processos de investigação de paternidade em andamento no Estado. Já os casos da chamada "cobrança de alimentos" totalizam 61.651, superando em 34,4% os casos de cinco anos atrás.
Claudete reforça que o abandono afetivo parental é praticado, na maioria das vezes, pelos pais. "A incidência das mães é pequena", compara. Para ela, o abandono do genitor abala a formação da criança, que fica sem referência.
"Pais que são separados ou nunca tiveram relacionamento têm obrigação financeira e afetiva de cuidar do filho, isto está previsto no instituto do poder familiar", reforça.
O dia a dia mostra para Claudete, também, que muitos homens tendem a se "descolar" dos filhos quando não continuam no relacionamento. "Os homens infelizmente descartam os filhos com o divórcio. Muitos se envolvem com outra parceira e bloqueiam o filho que pertence ao relacionamento anterior. É comum esse homem dar atenção aos filhos da parceira atual e ignorar os próprios filhos, gerando uma revolta e um abalo psicológico enorme nos adolescentes. O pai quer punir a mãe e não liga para os filhos", lamenta.
No caso de gravidez não planejada, a coordenadora destaca que uma tendência é o homem jogar a culpa na mulher. "Dizem que ela não se cuidou, que não queriam filho, que não estão preparados ou não tinham condição financeira. É tudo sobre ele, como se a gravidez frustrasse apenas os sonhos dele. Os sonhos da mulher que também não tinha planejado, que não queria ter filhos naquele momento são postos de lado."
Por trás do abandono financeiro e afetivo, ela reforça que há sempre uma mulher vitimizada pela situação. "A mãe é vítima deste contexto de vida. Ela sofre duplamente, pela falta do recurso financeiro e por ver que o filho sofre pela ausência do pai", comenta, lembrando que a responsabilidade é dupla, mas alguns pais acham suficiente apenas reconhecer o filho no papel. "O pai tem obrigação de amar, cuidar, passar madrugadas acordado... Amar é uma faculdade, mas cuidar é dever", opina. (C.A.)





