A recepcionista Paula (nome fictício), de 25 anos, enfrentou sozinha várias situações de vulnerabilidade causadas pela gravidez não planejada. Mãe adolescente, engravidou aos 15 anos, viveu um relacionamento abusivo, abandonou a escola e, após se separar do pai da criança, sofre hoje com o abandono financeiro e afetivo que ele impõe à filha.
Paula viveu três anos com o pai da menina que, hoje, já tem 9 anos. Como ele era possessivo e não assumia as responsabilidades familiares mesmo quando estavam casados, decidiu deixá-lo e voltar para a casa da mãe. "Ele passou a dar uma pequena quantia por mês e combinamos de dividir as despesas, pois minha filha faz um tratamento médico que é caro", lembra.
O acordo deu certo por um tempo. Quando Paula começou um novo relacionamento, porém, o ex-companheiro cessou qualquer tipo de ajuda e continuou pagando a "pensão" que ele mesmo arbitrou em R$ 250. Além disso, não visita a filha e não demonstra interesse por ela, o que machuca demais a mãe, que também é filha de pais separados mas, ao contrário, sempre teve o pai presente. "Eu sempre tive muita alegria quando meu pai chegava. Fico triste ao ver que minha filha não tem este sentimento", diz. Para ela, o ex-companheiro, infelizmente, nunca fez questão da filha, mesmo quando viviam juntos. "Não me surpreendo com essa atitude, ele nunca cuidou", lamenta.
A mãe sente-se constantemente sobrecarregada, apesar de receber ajuda da avó da menina e também do namorado, que assume algumas funções que o pai despreza. "Tenho vergonha de aceitar ajuda, mas não consigo dar conta de tudo sozinha", diz.
Além dos danos causados à filha, o abandono afetivo e financeiro vitimou a própria Paula, que abriu mão de muitos sonhos em nome do bem-estar da menina. "Larguei a escola e só terminei o ensino médio há pouco tempo. Nunca aproveitei minha vida, somente agora estou tendo a oportunidade de entender o que é viver em família", emociona-se.
O sonho de cursar faculdade é adiado a cada nova despesa imposta pela maternidade. "Minha filha é minha prioridade", resigna-se. Para a mãe, a indiferença do ex-companheiro é inaceitável. "Minha filha sentia muita falta do pai, mas hoje é indiferente. Se ele tivesse sido mais companheiro, muitas dificuldades teriam sido evitadas", acredita. (C.A.)

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