Rejuvenescimento e saúde: nova disputa?
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sábado, 01 de setembro de 2012
Redação FolhaWeb 
Os músculos definidos do corpo chamam a atenção logo à primeira vista. No auge de seus 54 anos, o empresário Emir Elias Daher não aparenta ter a idade que possui. Resultado de cuidados com alimentação, treinamento pesado de musculação e nada menos que a média de 30 quilômetros de corrida todos os dias, que o ajudam a manter a boa forma digna de elogios por onde passa. Recentemente, incluiu suplementos como proteínas e aminoácidos à dieta, pois estava perdendo muita massa muscular. ''Reposição hormonal ainda não faço, mas se tiver indicação médica, uso tranquilamente'', assume.
Apesar de afirmar que o estilo de vida não tem como objetivo final o físico ''sarado'', confessa que está satisfeito com a aparência mais jovem. ''Gosto quando dizem que estou bem, quando a molecada me pergunta o que faço. Porém, o que me importa mesmo é ter a saúde em dia. Espero ficar como meu pai, hoje com 85 anos, e esbanjando vitalidade.'' Questionado se aceitará com tranquilidade a chegada da chamada terceira idade, Emir desvia com humor. ''Eu não sinto que estou envelhecendo, porque estou muito bem. Então, nem penso nisso. Já passei por um acidente grave, tive sequelas, mas consegui me recuperar. O mais importante foi minha própria superação'', relata, lembrando que, depois do episódio, foi campeão paranaense de fisiculturismo.
Exemplos como o de Daher - que ainda não chegou à terceira idade -, mostram que a preocupação com a qualidade de vida na velhice tem começado cada vez mais cedo. Mas, se antes a saúde era prioridade, a necessidade de parecer jovem tem se sobreposto, reforçando a postura de que vale tudo para rejuvenescer. Segundo Isabella Bastos de Quadro, psicóloga especializada em gerontologia e colaboradora do Observatório da Longevidade, há vários aspectos a serem abordados quanto a este universo.
''A evolução tecnológica fez com que o velho deixasse de ser o detentor do conhecimento. Então, o 'novo velho' é remetido ao defasado, à doença. Enquanto isso, a valorização exacerbada da juventude só reforça a ideia de que quem chegou à terceira idade teria apenas dois caminhos: ou se espelha em um jovem, ou recebeu a sentença de morte'', considera.
Dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010, comprovam que a população com mais de 60 anos foi a que mais cresceu no País nos últimos dez anos. A pesquisa levantou que existem 20,5 milhões de pessoas desta faixa etária, o que já representa 10,8% dos brasileiros. Um aumento importante, considerando que em 1960 havia 3,3 milhões de brasileiros com mais 60 anos, representando 4,7% da população. O crescimento do índice deu margem, por exemplo, ao surgimento de um grande nicho de mercado.
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