Recursos escassos pode paralisar Unioeste
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de setembro de 2001
Gilmar Agassi<BR>De Cascavel 
A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), desde que foi fundada sempre sofreu com a falta de estrutura e recursos para a manutenção dos cinco campi e da reitoria. Entretanto, dessa vez, os problemas estão chegando a uma situação em que todas atividades poderão ser paralisadas. Não bastassem os problemas estruturais, os escândalos administrativos se sucedem e a crise aumenta a cada dia.
A falta de recursos para o custeio já determinou a paralisação de dois cursos no campus de Cascavel. O curso de Farmácia permaneceu por mais de 40 dias em greve, em decorrência da falta de laboratórios para aulas práticas. Já o curso de Odontologia precisou paralisar as atividades nas três clínicas de atendimento à população carente. Os trabalhos retornaram depois de sete dias, com o repasse de R$ 10 mil para compra de materiais.
Um relatório completo apresentado pelo diretor do campus de Cascavel, Paulo Sérgio Wolff, que no momento está afastado, mostra que os R$ 29,7 milhões destinados ao orçamento de 2001 da Unioeste são suficientes apenas para a folha de pagamento. Para este ano, estava previsto R$ 1,3 milhão para cobrir despesas com custeio. Porém, somente R$ 374 mil chegaram à instituição.
O mesmo relatório informa que os cinco campi da universidade contam com 8.710 alunos, divididos em 45 cursos de graduação, com custo anual de cerca de R$ 3,4 mil cada ao Estado.
Outro grave problema existente na Unioeste é a deficiência de funcionários que em toda instituição somam apenas 447 pessoas. É importante ressaltar que a estrutura física do campus, o maior de todos, aumentou praticamente cinco vezes. Para amenizar a defasagem de funcionários, a solução tem sido a contratação de estagiários.
Na parte administrativa a situação é ainda mais complicada. A reitora Liana Fuga foi afastada do cargo depois de ter seu nome envolvido em denúncias de fraude em concurso público realizado em fevereiro no campus de Francisco Beltrão. Após seu afastamento, Fuga apresentou uma série de denúncias contra pessoas da sociedade de Cascavel, entretanto ainda não conseguiu comprová-las.
No lugar de Liana Fuga, assumiu o vice-reitor Wilson Iscuissati, que vem tendo sérios problemas com o Conselho Universitário (COU), que exige que o diretor do campus de Cascavel, Paulo Wolff, seja reconduzido ao cargo. Iscuissati justifica que não pode acatar essa decisão, pois o afastamento de Wolff foi designado pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, baseado em documentos apresentados pelo Tribunal de Contas.
Enquanto os problemas não são resolvidos, os maiores prejudicados são os alunos que ao invés de se preocuparem em estudar, precisam protestar nas ruas na tentativa de conseguir recursos para a instituição.


