Reconhecer as limitações é fundamental, diz psicólogo
A questão dos limites e sua superação - tem importância fundamental para a psicologia. Conforme o psicólogo Mauro Duarte, pesquisador da Universidade de São Paulo na área de psicologia social, reconhecer as próprias limitações e buscar mecanismos para superá-las com segurança é um importante sinal de saúde psíquica. "Só quem tem limites bem estabelecidos consegue buscar novos desafios para serem vencidos", explica.
O psicólogo lembra que os limites são necessários para a construção da identidade do ser humano e que é a partir da conquista da segurança para superá-los que se constitui a subjetividade. "Os limites nos dizem até onde podemos ir. Saber lidar com as regras, por sua vez, relaciona-se com o desenvolvimento da subjetividade", diz.
É importante contar com "equipamentos" para alcançar a superação, como é o caso do apoio de uma equipe e ou da tecnologia, no caso dos praticantes de esportes de aventura. Duarte reforça que os limites positivos são os que motivam a superação. Eles são dados pelas pequenas vitórias que levam a uma grande conquista. É o exemplo da criança que é incentivada a percorrer várias vezes, de bicicleta, o caminho até a esquina, para depois dar uma volta completa no quarteirão. O mesmo conceito se aplica aos corredores, montanhistas ou atletas de alta performance. "As pessoas que acham que não conseguem realizar determinado feito não terão acesso a acreditar que podiam fazê-lo. É preciso ter resistência à frustração e acreditar que na próxima vez vai fazer melhor", defende.
Superar os próprios limites é extremamente saudável, desde que não se ignore os limites naturais e sociais. Adolescentes, por exemplo, estão sempre testando os limites dos pais e da escola porque estão na fase de reformular a identidade e reconstruir a subjetividade. "É muito comum observar jovens implorando contenção por parte dos pais. Quando isso não ocorre, acabam bebendo, usando drogas... Eles querem, na verdade, que sejam impostos limites positivos."
Duarte questiona o conceito do "é proibido proibir", surgido na década de 1960, mas que segundo ele não se aplica mais nas sociedades democráticas. Quebrar as regras para ser feliz cria psicoses e pessoas perversas. Liberdade é poder lidar com os limites", enfatiza.





