A influência das ondas eletromagnéticas na saúde do homem é o principal motivo da polêmica gerada em torno das estações rádio-base (erbs) que, na verdade, são as torres ou microcélulas. A diferença de opiniões entre profissionais da área e até especialistas alimenta o receio das pessoas.
Na opinião do professor Adroaldo Raizer, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o temor das antenas de telefonia celular não faz sentido desde que elas estejam de acordo com as normas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o órgão regulador e fiscalizador do setor. ‘‘Os eletrodomésticos que temos em casa também emitem ondas eletromagnéticas em diferentes frequências e potências. Mas nem por isso ficamos doentes’’, explica Raizer. Ele é especialista em interferência, poluição e compatibilidade eletromagnética, efeitos e causas de campos eletromagnéticos em seres vivos.
Para exemplicar, o professor cita o forno microondas que funciona na faixa de 2,45 gigahertz com 2 mil watts de potência. Enquanto isso, uma antena de telefonia móvel trabalha com aproximadamente 0,9 gigahertz de frequência e potência de, no máximo, 40 watts. ‘‘A Anatel leva em conta as determinações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e de institutos reconhecidos internacionalmente. Se os aparelhos estiverem dentro desses parâmetros não há porque ter medo.’’
Ao contrário de Raizer, o engenheiro eletrônico e físico Gilberto Madi afirma que as ondas eletromagnéticas emitidas pelas torres de telefonia celular e até as de rádio e televisão fazem mal à saúde. Ele fez parte da comissão municipal que elaborou o projeto de lei para a instalação de antenas em Londrina. Segundo Madi, o perigo está no estímulo da circulação sanguínea provocado pela energia das torres que funcionam na mesma frequência dos fornos microondas.
‘‘É claro que não vamos cozinhar como os alimentos, mas sentiremos, por exemplo, os efeitos do hiperfuncionamento das nossas glândulas’’, explica. Outro órgão afetado são as retinas que já sofrem com a emissão dos raios X, Beta e Ultra Violeta através dos computadores.
Madi usa como um de seus argumentos o limite de 1 mw de exposição por centímetro quadrado que a OMS estabelece para qualquer tipo de onda magnética. ‘‘Se não houvesse perigo não haveria razão para restrições’’, acrescenta. Na opinião dele, a Lei de Zoneamento do Plano Diretor de Londrina é um ótimo critério para definir as áreas de instalação de torres sem barrar o desenvolvimento da comunicação, posição que é defendida também pelo prefeito Nedson Micheleti (PT). (B.R.)

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