Na área de transportes, Carmem Jaques, de 42 anos, é um exemplo da presença feminina. Há um ano empregada na TIL-Transportes Coletivos, ela percorre cerca de 150 quilômetros por dia, conduzindo o ônibus da linha Cambé-Shopping Catuaí.
A cada embarque de passageiros, Carmem recebe um olhar de estranheza, que em segundos é substituído por comentários. ''Recebo elogios o dia todo. Alguns até me dão parabéns por ter essa profissão. Não adianta, por onde passo chamo atenção porque ainda é raro ver mulher dirigindo ônibus'', diz ela, que foi a única mulher a participar do teste seletivo, entre os 70 homens inscritos.
Tamanha habilidade é pela experiência conquistada desde os 18 anos, quando trabalhou no transporte de carga seca. ''Casei aos 16 anos com um motorista de caminhão e aprendi a dirigir com ele. Quando tirei carteira, comecei a pegar estrada e rodar por todo o Brasil. Já passei por 21 estados'', recorda, ressaltando que já trabalhou em áreas comerciais, mas não se sentia satisfeita.
''Queria mesmo ser motorista, não importava o tipo de veículo'', completa.
Viúva e mãe de dois filhos, Carmem admite ter a profissão dos sonhos e contraria a ''fama'' que as mulheres têm ao volante. ''A mulher é muito mais compreensiva e tem mais bom-senso no trânsito. Fico muito feliz em saber que estou sendo um exemplo e, por isso, posso encorajar outras mulheres a atuar nesta profissão. Mas, sinceramente, acho que daqui a alguns anos vai ser tudo igual. Homens e mulheres atuando em todas as áreas'', diz ela, que apesar de trabalhar entre muitos homens não deixa a vaidade de lado. ''A cada parada, um retoque no batom. É indispensável, não é?'', diz, aos risos. (M.O.)

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