Nélson Leal Júnior, diretor geral do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER), cita que havia uma demanda reprimida de duplicações porque a maioria dessas obras foi jogada para os últimos anos de concessão. Ele afirma que várias duplicações importantes foram ou estão sendo realizadas com recursos do governo do Paraná, em parceria ou não com as concessionárias, entre elas o trecho urbano da PR-445, na região de Londrina, os trechos da BR-277 entre Matelândia e Medianeira, entre Guarapuava e o Trevo do Relógio e no contorno de Campo Largo, da PR-323 entre Maringá e Paiçandu e da BR-376 entre Jandaia do Sul e Apucarana.
"Estamos dando prioridade a trechos urbanos, onde há maior conflito entre o tráfego rodoviário e o das cidades", justifica Leal. O diretor descreve que a parte do governo nessas obras está sendo paga com recursos do tesouro do Estado, já que um financiamento que era esperado por meio do Programa de Apoio ao Investimento dos Estados e Distrito Federal (Proinveste), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ainda não foi liberado.
Quando é feita uma análise da distribuição das rodovias duplicadas conforme a jurisdição no Paraná, as mantidas por prefeituras apresentam o pior índice. Enquanto 17,69% das estradas federais e 2,64% das estaduais têm pista dupla, nenhum dos 6,3 mil quilômetros das municipais é duplicado, segundo os dados do Dnit.
O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e prefeito de Nova Olímpia, Luiz Lazaro Sorvos (PDT), diz que as prefeituras não têm dinheiro para duplicar as rodovias que administram. "Os municípios, devido à limitação de receita, têm muita dificuldade para ampliar e até conservar essas estradas. A maioria das rodovias municipais é precária", afirma.
Sorvos não acredita que parcerias poderiam atenuar a situação no momento. "O Estado também está com as receitas complicadas. Na hora em que o Estado estiver bem, os municípios estiverem bem, seria possível investir nisso", argumenta.
A FOLHA solicitou informações ao Dnit sobre investimentos do Governo Federal em duplicação de rodovias no Paraná, mas até o fechamento desta reportagem não havia obtido retorno.

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