RANKING - Paraná entre os piores em concentração de faculdades
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sábado, 13 de julho de 2013
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Há 50 anos, quem queria fazer faculdade no Paraná pensava prontamente em Curitiba, na época o único grande centro universitário do Estado. Desde então, muita coisa mudou e hoje outras metrópoles regionais e até mesmo cidades de médio e pequeno portes dividem com a Capital o protagonismo no ensino superior paranaense.
Entretanto, a formação universitária ainda está longe de estar disponível em todas as regiões do Paraná. Segundo números divulgados este mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano passado a concentração de faculdades no Estado era superior à média nacional. Apenas 137 dos 399 municípios paranaenses tinham unidades de ensino superior (presenciais ou polos de educação a distância), o que representava 34,33% das cidades. O índice brasileiro era de 39,46%.
O Paraná era a vigésima unidade federativa em distribuição de cursos universitários. Apenas sete Estados tinham patamares piores do que o paranaense: Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Piauí, Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba (veja gráfico).
Primeiro de Maio, município de 10,8 mil habitantes localizado na Região Metropolitana de Londrina, está entre as mais de 200 cidades paranaenses que não possuem unidade de ensino superior.
Leide de Jesus Estrada, secretária municipal de Educação de Primeiro de Maio, estima que aproximadamente 250 estudantes se deslocam diariamente em ônibus particulares para outros municípios para frequentar aulas na faculdade. Mas muitos preferem se mudar de vez da cidade para terem acesso ao ensino superior.
"O nosso jovem não tem perspectiva de ficar no município. Ele tem que estudar fora e acaba ficando por lá", lamenta a secretária. Ela cita que o déficit de mão de obra qualificada atrapalha a ida de investimentos para Primeiro de Maio.
Leide relata que na gestão passada, quando era coordenadora da pasta, tentou implantar um polo de ensino superior a distância na cidade. "Mas não consegui, porque tem que haver uma distância mínima de 150 quilômetros entre os polos, e já havia um da Universidade Estadual de Maringá (UEM) em Bela Vista do Paraíso (município vizinho)", explica. No ano passado, foi implantado um polo de educação a distância do Instituto Federal do Paraná (IFPR), mas os três cursos ofertados são de nível técnico.
A filha da secretária, a estudante Milena de Jesus Estrada, de 17 anos, mora em Primeiro de Maio, mas estuda em um colégio particular em Sertanópolis (outro município vizinho). Este ano, vai prestar vestibular para Medicina em várias universidades paranaenses, e também no Mato Grosso do Sul e em São Paulo. "Para onde eu for, vai ser para morar, mesmo que seja Londrina, que é perto daqui. O curso é integral. E não vejo possibilidade de voltar para Primeiro de Maio depois. O município é muito pequeno, não tem campo de trabalho", lamenta.
Jeferson Ribeiro Vidal, de 17, que também está concluindo o ensino médio, estuda em um colégio estadual em Primeiro de Maio. Ele tem que conciliar os estudos com o trabalho (é auxiliar de serviços gerais em um mercado), por isso talvez não vá prestar vestibular este ano, já que não teria como se concentrar na preparação. Ele planeja tentar entrar na faculdade de Engenharia Elétrica a partir do ano que vem.
"É complicado, porque eu vi a situação da minha irmã. Ela trabalhava em Londrina e estudava em Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), sempre voltava para Primeiro de Maio muito tarde", explica o estudante.
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