Raciocínio do tráfico e do contrabando é econômico
Para o consultor de segurança, o advogado Marcus Vinicius Reis, especialista em estudos de combate ao crime organizado transnacional e em segurança mundial, o grande volume de drogas que circula nas fronteiras da América do Sul é consequência de um bom momento para o negócio. O primeiro, segundo ele, é que o custo de produção ao migrar da Colômbia para a Bolívia e o Peru caiu significativamente, o que deixou o negócio ainda mais lucrativo. Além da mão de obra mais barata na colheita de folha de coca, contribuiu para a redução dos gastos das quadrilhas o preço mais baixo de insumos de refino produzidos no Brasil, como o éter e o querosene. "Desta maneira, as quadrilhas compram drogas no Paraguai por US$ 2 mil o quilo, o que pode gerar um faturamento 25 vezes maior que este nos maiores centros consumidores como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília". Reis destaca também uma forte demanda por todos os tipos de drogas no Brasil desde o início deste século, quando o poder aquisitivo de todas as classes avançou. "Não há outro caminho senão no investimento forte em repressão na fronteira, que é o tipo de repressão mais barato e com maiores chances de êxito. O custo é alto mas ainda mais alto é o custo do tratamento de dependentes no sistema de saúde e o das vítimas da violência no país inteiro".
O especialista criticou a falta de integração das forças de segurança e a lentidão dos governos para elaborarem acordos que permitam políticas conjuntas de repressão.
Para o coordenador do Grupo de Estudo da Criminalidade da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Jorge da Silva Giulian, o efetivo de repressão na região de Foz do Iguaçu, que ele considera "gigantesco", como diversos tipos de efetivos diferentes, afetou os moradores da fronteira. "Todo este aparato traz uma sensação de insegurança muito grande e não combate a origem do problema, que é social". Para ele, enquanto a cidade tiver dinheiro de atividades ilícitas irrigando a economia formal, gerando renda para quem não tem perspectiva, os moradores vão continuar fazendo vistas grossas para a situação. "Os governos estaduais e federais nos devem um tratamento diferenciado. Sofremos os efeitos de uma situação nacional e não temos sequer um plano de desenvolvimento para formar uma base econômica capaz de competir com o dinheiro do crime. Quem serve ao tráfico e ao contrabando, deve ter uma alternativa de vida decente. Hoje eles não têm", criticou. (L.F.M.)





