A posição do presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes de Ciudad del Este, Oscar Cardoso, resume os ânimos na fronteira nas últimas semanas. ''Querem negociar nosso mercado de trabalho, senão nos ameaçam'', disse ele à comitiva brasileira que pediu o fim das demissões. Já o vereador paraguaio Alexandrino Garae condicionou a presença de brasileiros no mercado de trabalho às dificuldades do povo. ''Levam nossos salários e nossos filhos passam fome'', afirmou durante o encontro.
Do lado brasileiro, as acusações atingiram a preferência dos empresários pela mão-de-obra brasileira supostamente mais especializada e a dependência dos paraguaios pelos hortifrutigranjeiros da Central de Abastecimento (Ceasa), de Foz - eles representam 85% dos clientes da unidade. Já o vice-prefeito de Foz, Cláudio Rorato (PMDB), chegou a duvidar da seriedade da fiscalização paraguaia, dizendo que ela seria suspensa com o tempo (o que acabou não ocorrendo).
A polêmica também foi levada ao Palácio Iguaçu e ao Senado. A Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul realizou uma audiência pública no dia 25 para discutir o assunto, porém, ela não apontou solução em curto prazo. O senador Roberto Requião (PMDB) prometeu manter o canal de discussão aberto para encontrar soluções para a crise. O tema também foi alvo de debate da TV Tarobá (Rede Bandeirantes). (A.P.).

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