O médico do trabalho Zuher Handar, presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), esclarece que doenças adquiridas ou não no exercício da atividade profissional podem ser incapacitantes para o trabalho, incluindo os transtornos mentais e comportamentais. "É preciso ter atenção porque algumas delas trazem risco para o próprio trabalhador e para outras pessoas", diz.
Até mesmo doenças momentâneas, como uma simples gripe, podem ser perigosas. "Se o trabalhador dirige um ônibus ou opera uma máquina, por exemplo, pode sentir-se mal e causar um acidente", exemplifica.
Os transtornos mentais podem ser motivados pelo tipo de organização do trabalho. "Excesso de cobranças, sobrecarga de atividades e autoritarismo são capazes de desencadear as doenças", destaca. Por isso, Handar defende que os exames para controle da saúde do trabalhador previstos em lei sejam realizados com qualidade e não apenas para cumprir a legislação. "O médico precisa escutar as queixas e avaliar com profundidade se o trabalhador está apto ou não para exercer a função. Isso não se faz em dez minutos", critica.
Ele avalia que transtornos como ansiedade e depressão são difíceis de serem diagnosticados, o que aumenta a necessidade de prevenção, seja por maior rigor nos exames médicos laborais ou pela melhoria das condições de trabalho. "A avaliação do risco associado à atividade profissional pode evitar acidentes sérios", reforça o médico, lembrando que, infelizmente, muitos trabalhadores não assumem suas dificuldades ou problemas de saúde por medo de serem demitidos.
O problema é que mesmo doenças não originadas no trabalho podem ser agravadas pela rotina profissional, por isso é importante que os colaboradores tenham segurança para assumir a doença e, se necessário, providenciar uma intervenção. "Muitos afastamentos ocorrem porque a doença não foi investigada a tempo", diz. (C.A.)

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