Entre os casos investigados pelo Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber) da Polícia Civil do Paraná, 30% envolvem crianças e adolescentes como vítimas ou mesmo responsáveis pelos atos infracionais. A informação é do delegado titular do órgão, Demetrius Gonzaga, que atribui a estatística ao uso descontrolado da internet sem supervisão de adultos.
Ele chama atenção para um dado alarmante: cresce o número de pessoas com menos de 18 anos atuando como responsáveis na prática de ações ilegais, como o compartilhamento de informações, imagens e fotos sem autorização. "São crianças que ainda não têm capacidade de decisão, mas ficam soltos nas redes sociais e acabam praticando atos que repercutem negativamente", avalia, destacando principalmente o uso indiscriminado de smartphones como causa do problema. "Estes dispositivos permitem uma privacidade que ainda não é adequada a esta faixa etária. O dever de vigilância é dos pais", adverte.
Sem a presença de um adulto par acompanhar as atividades nas redes, os meninos e meninas ficam expostos a riscos importantes, como a ação de pedófilos, estupradores e sequestradores, que têm acesso fácil a informações privilegiadas sobre a vida privada das vítimas, como endereço, escola onde estudam e telefone. "Os adolescentes, ao compartilharem imagens nas redes, são os principais responsáveis por alimentar redes de pedofilia", acrescenta.
Por isso, aconselha as famílias a não relaxaram em relação às atividades dos filhos no mundo virtual. "É bom lembrar que, normalmente, os telefones estão no nome dos pais, que podem ser responsabilizados civilmente por danos que venham a ser provocados pelos filhos", afirma. (C.A.)

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