'Quando sobra', caderneta ainda domina preferência
O trabalhador tem encontrado dificuldades em economizar recursos no banco, mas ainda opta pela poupança, com a justificativa de que é mais simples fazer a transação. É o caso da atendente comercial Rita de Cássia Pereira. Ela afirma que sempre tentou guardar um pouco de dinheiro na caderneta de poupança, mas não tem conseguido mais nos últimos anos. Depois de comprar um terreno, ela e o marido economizaram para construir uma casa aos poucos. "Tive de fazer dívida para entrar na minha casa, comprar materiais de construção, e a gente foi se apertando", conta.
Com o parcelamento no cartão de crédito, ela pagou apenas a tarifa mínima e o débito "virou uma bola de neve". "Os juros que os bancos cobram são muito altos. Tenho conseguido pagar todos os meses, mas tiro dos supérfluos para não ficar inadimplente no comércio, porque não posso ficar com nome sujo", explica a atendente. O salário atual de Rita é de R$ 984, mas ela diz que as variações de preço são constantes. "Comprei leite no mercado no mês passado por R$ 1,48 e uns dias atrás paguei R$ 1,99, só que não recebi esse aumento no meu salário", conta.
Ela reclama ainda da alta dos juros. "Esses dias fui ver uma panela para minha mãe e estava R$ 69, perguntei se dava para pagar no cartão da loja, porque antigamente não tinha juro, mas agora eles embutem um juro em cima disso e para a gente fica difícil comprar", afirma Rita. "Não consigo ficar com dinheiro sobrando. Há uns dois anos eu tinha uma folga, mas não dá mais. O que ganho é para minha necessidade."
A auxiliar administrativa Ana Cláudia Ferreira ainda consegue deixar um pouco de dinheiro na poupança, mas não aplica porque diz que o orçamento hoje é uma gangorra. "Consigo poupar bem pouco, mas, de repente preciso e tiro na hora. Fica na poupança por isso", diz. Situação semelhante à da atendente de enfermagem Fátima de Souza. "Tinha poupança há uns cinco anos, mas não consigo mais poupar. O salário chega e vai embora." (F.G.)





