A disputa pelo milionária do mercado da beleza está causando polêmica entre fisioterapeutas, médicos e esteticistas. De um lado, o Conselho Regional de Medicina (CRM) e o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito) defendem que tanto o manuseio de equipamentos de eletroterapia -que emitem estímulos elétricos- quanto a condução do tratamento por estes aparelhos devem ser realizados por especialistas. Do outro lado, esteticistas que atuam na área afirmam que têm capacidade para tanto porque fizeram cursos técnicos, o que lhes conferiu qualificação.
Para os presidentes do Crefito (8ª Região), Abdo Augusto Zehbi, e do CRM, Salim Emed, além de ocupar vagas de profissionais habilitados, os esteticistas podem ser enquadrados por exercício ilegal de profissão caso o cliente que se sinta lesado registre denúncia junto aos conselhos. ''O manuseio errado dos equipamentos podem provocar queimaduras, fibroses e fissuras na pele'', disse Zehbi.
Para ele, cada profissional deve trabalhar em sua área de atuação. ''Esteticistas são habilitados para trabalharem com a cosmetologia (aplicação de cosméticos) e estética corporal. Já a estética fisioterapêutica, que lida com disfunções do organismo como celulite, flacidez e gordura localizada possui aparelhos específicos'', explicou Zehbi. É o caso do ultrassom (que provoca a compressão e descompressão muscular para diminuir a celulite), corrente russa (que emite choques elétricos nos músculos a fim de enrrigecê-los), endermologia (aparelho por vácuo-compressão que faz a sucção da gordura), drenagem linfática (para diluição da gordura) e corrente galvênica (para a redução de estrias).
De acordo com a fisioterapeuta Elis Regina Gonçalves, que trabalha na área, as clínicas de estética e salões de beleza que possuem essses equipamentos não contratam profissionais especializados por conta do piso salarial da categoria, que é de R$ 1,2 mil por quatro horas diárias de trabalho. Um esteticista tem salário comissionado, recebe em média, R$ 500,0O mensais.
A própria fisioterapeuta já foi vítima de tratamento estético conduzido por pessoa não habilitada. ''Fiz tratamento por corrente galvânica, mas a potência estava tão alta que fiquei com uma queimadura no ombro. Quando tiraram as placas de eletrodo havia um buraco do tamanho de uma moeda. O hematoma se transformou em uma fibrose e só cinco meses depois cicatrizou. Mas até hoje tenho uma cicatriz no ombro'', contou.
A esteticista Carla Possenti contesta tais afirmações. Ela, que trabalha num centro estético em Curitiba -que não possuiu especialistas- disse que fez diversos cursos técnicos e que com a experiência do dia-a-dia aprendeu a lidar com os aparelhos e a fazer as avaliações nas pacientes. ''Nunca tivemos nenhum problema com nossas clientes aqui no salão. Somos muito cautelosas. Na corrente russa, por exemplo, a carga elétrica possui frequência de 2,5 mil a 4 mil hertz. Porém, modulamos a mesma em, no máximo, 100 hertz para evitar possíveis queimaduras. A Folha tentou ouvir a Associação Paranaense de Estética e Cosmetologia (Apeco), mas ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto.

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