Qualidade da informação varia conforme o estado
O Sinesp, centralizado na Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, existe desde 2012 e atualmente recebe estatísticas sobre crimes registrados, armas de fogo, sistema prisional, entre outras.
O pesquisador Marcelo Batista Nery, do NEV-USP, argumenta que, por enquanto, o Sinesp não atingiu seus objetivos, já que a qualidade da informação na área de segurança pública varia muito de estado para estado. Dessa forma, na opinião do pesquisador, qualquer comparação fica distorcida.
"O Anuário Brasileiro de Segurança, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, compara a qualidade dos dados. Em 2012 e 2013, o Paraná, por exemplo, foi considerado um estado que tem boa qualidade de informações na área. Mas Amapá, Rondônia, Tocantins, Piauí, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Sergipe apresentaram uma qualidade ruim nos seus dados. No sistema, dentro das suas metas, deveríamos estar verificando uma evolução da qualidade das informações prestadas, e isso não tem acontecido", argumenta.
"Eu tenho mais contato com a realidade paulista, e nela já enxergo muita dificuldade (na produção de informações sobre segurança pública). Em outros estados, vejo uma dificuldade muito maior, pelo baixo investimento em equipamentos e pessoal, e também pela cultura: muitos agentes de segurança pública subestimam a importância da produção e análise qualitativa de dados", aponta Nery.
Uma emenda ao projeto sobre taxas de elucidação de crimes, apresentada pelo deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR), determina que os dados e informações do Sinesp deverão ser padronizados e categorizados. O parlamentar argumentou que "a omissão, a falta de padronização e a inconsistência das informações" geram "grandes dificuldades" para a elaboração e consolidação dos dados do sistema. (F.G.)





