A Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) é a mais nova instituição pública do Paraná. Nos últimos seis anos a universidade foi a que mais cresceu no Estado. A evolução no número de cursos de graduação ofertados nesse período aumentou 290%, partindo dos 11 cursos em 1994 para 25 em 2001. O crescimento também é verificado na quantidade de candidatos do vestibular: de 1.386 para 10 mil inscritos.
O quadro funcional, no entanto, não acompanhou esse crescimento. São 30 alunos para cada funcionário, enquanto em outras universidades a relação é de, no máximo, 15 alunos por servidor.
São mais de 5 mil alunos matriculados, 157 funcionários e 400 professores. A defasagem no corpo técnico é compensada com a contratação de estagiários, que atualmente chega a 180 pessoas. Segundo o assessor de Planejamento da Unicentro, Léo Raifur, muitas vezes os serviços exigem responsabilidade e aprendizado contínuo. ''Há seis anos, pleiteamos concursos, sem êxito'', comenta, citando que a área de Informática é praticamente sustentada com a ajuda de estagiários.
Sem a autorização para abrir concurso e a curta validade dos contratos (dois anos), a universidade acaba perdendo os técnicos para o mercado. ''Isso depois de qualificá-lo, de desenvolvê-lo, pelo simples fato de não ter como transformá-lo de auxiliar ou técnico em processamento de dados em analista de sistema'', explica.
A mesma situação aplica-se ao quadro docente, no qual a grande maioria dos professores são contratados por teste seletivo. O governo alega restrições financeiras para não ampliar o número de servidores.
A manutenção da Unicentro custa mais de R$ 150 mil mensais. Para cada aluno são destinados R$ 230,00 por mês. Como o repasse de verbas do Estado totaliza, em média, menos de R$ 100 mil, a complementação dos recursos é feita por intermédio da prestação dos serviços. De acordo com Léo Raifur, o instrumento principal de captação teria de ser o docente e os projetos de extensão. ''Fica difícil quando se está com toda a estrutura docente ligada a pós-graduação e a docência, como é o nosso caso'', justifica.
Os cursos de pós-graduação, vestibular e vários serviços de intermediação, como convênios estaduais, federais e municipais, complementam a verba para o funcionamento.
O reitor Carlos Alberto Gomes afirma que os investimentos só são possíveis graças a recursos extra orçamento. Segundo ele, entre 2000 e 2001, metade do dinheiro investido em obras veio de recursos paralelos. ''Este ano, serão investidos R$ 1 milhão na universidade, metade adquirida pela própria instituição'', diz.
Diante de uma dotação orçamentária enxuta, os recursos para pesquisas têm saído também dos cofres da Unicentro. Mais de mil pesquisas foram produzidas na universidade e, atualmente, outros 186 projetos estão em andamento. Oito outras pesquisas envolvem funcionários dos diversos setores da instituição. Além disso, os alunos têm acesso a bolsas em programas de monitoria, pesquisa e extensão, desenvolvidos com verba própria.

mockup