Psicopatia pode estar por trás de egoísmo exacerbado
Os muitos casos envolvendo quebra de confiança têm a ver, de acordo com a psicóloga clínica e docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Filadélfia (Unifil) Eliane Belloni, de Londrina, com as sérias modificações nas formas de 'ser' no mundo. "A revolução tecnológica que atravessamos tem provocado uma quebra nas antigas formas estáveis e previsíveis do homem se comportar. Hoje podemos dizer que as relações humanas não são tão sólidas como antes, mas fluídas, líquidas e altamente substituíveis", explica.
Para Eliane, a corrida desenfreada em torno do tempo, da beleza, do corpo jovem, do status financeiro, do consumo pelo esteticamente belo e funcionalmente rápido, tem mudado as formas de se relacionar e de sentir dos seres humanos. Para conquistar o que quer, diz a psicóloga, o homem tem excedido limites e, muitas vezes, atropelado o que chamamos de "direitos humanos". "Todo este contexto competitivo favorece que alguns distúrbios de comportamento/personalidade venham aparecer com mais frequência ou pelo menos ganhem visibilidade, como é o caso de pessoas que, imbuídas de má-fé, tentam a qualquer custo conseguir o que desejam, independentemente da dor ou dano que possam causar no outro", observa a psicóloga.
Ela define que a esse egoísmo exacerbado dá-se, até a adolescência, o nome de transtornos de conduta. Depois, é chamado de transtorno de personalidade antissocial, que tem como expoente a psicopatia. As pessoas com este tipo de distúrbio, segundo Eliane, têm determinadas características e não medem esforços para conseguir o que querem em detrimento do outro. "Elas utilizam-se de verdadeiras armas psicológicas e estudam direitinho as características do seu alvo. Geralmente se aproximam de pessoas que por algum motivo sentem-se desprotegidas e se aproveitam da fragilidade do outro para extorqui-lo. Porém, isto é feito de maneira sutil, sob a égide de uma personalidade fraterna e acolhedora." A psicóloga afirma que tratam-se de indivíduos sem sentimentos, frios, perfeitos na arte de seduzir, enganadores, que não apresentam remorso ou culpa por terem ferido, enganado ou trapaceado alguém.
Também são pessoas solícitas, inteligentes, hábeis o suficiente para se aproximarem das vítimas sem causar desconfiança. "Se descobertas, disfarçam seu lado 'negro', mas não mudam seu padrão comportamental nem mesmo pela punição. Elas não julgam que estão erradas e as explicações para seus atos antissociais são sempre racionais. A razão pela qual um psicopata age é puramente para satisfação de seus desejos. Como é desprovido de sentimentos, a relação que tem com as pessoas é de posse e uso." Ainda de acordo com Eliane, os comportamentos mais frequentes daqueles que têm o transtorno estão ligados a mentiras, sedução, abusos, roubos, trapaças e violência.
Segundo estudos da Organização Mundial da Saúde, de 1% a 4% da população mundial preenche este quadro. Portanto, alerta a psicóloga, não é tão raro estarmos ao lado de um deles. "Mas só saberemos se formos um de seus alvos." (S.L.)





