O proprietário do Canil Escola Emanuel, de Maringá, Ary Marcos Borges da Silva, critica as condições do Zoológico de Cascavel. "Não sei como tem licença ambiental para funcionar. Falta segurança e faltam guias para atender o público. O local onde o tigre foi colocado mais parece uma galinheiro", critica Silva. Hu nasceu há pouco mais de quatro anos no canil maringaense, que tem licença do Ibama para receber leões e tigres, muitos deles vítimas de maus tratos.

O animal que tornou-se o centro da polêmica envolvendo o zoológico foi para lá com oito meses, junto de uma tigresa adulta que, segundo o mantenedor do canil, era a mãe de Hu. Ela foi emprestada e deveria passar apenas uma temporada de um ano no zoológico, mas o Ibama não autorizou sua volta para Maringá e Chang, como era chamada, morreu em fevereiro do ano passado. Sua morte é motivo de indignação por parte do mantenedor do canil escola. Ele afirma que a fêmea teve um ferimento no peito e não foi devidamente tratada. O problema se agravou e Chang morreu de infecção generalizada.

Silva diz que queria trazer a tigresa de volta para recuperá-la, "mas infelizmente a burocracia impediu". Ele também afirma que alertou o zoológico sobre a falta de segurança no local, argumentando que a tendência, em grandes zoológicos, é a colocação de vidros temperados ou acrílico. "Se eles tivessem me ouvido, esta tragédia não teria acontecido."

O mantenedor revela ainda que Hu sempre foi um animal agressivo. "Com quatro meses ele apresentava um comportamento arredio e atacava os irmãos. Era uma fera, ninguém chegava perto dele." Esta característica do felídio, segundo Silva, consta da ficha técnica que acompanhou o animal desde sua chegada ao zoo. Mas ele admite que no dia do ataque o tigre foi bastante estimulado, durante o tempo em que o garoto ficou rente à grade de proteção, e pode ter ficado estressado. "Foi um estímulo positivo para o comportamento negativo do animal."

Além das instalações do zoológico, Ary Silva questiona a ausência de um segurança no local, que poderia ter contido o garoto. "Tigre não é gato, não é cachorro. Está no DNA dele ser predador. Se aquela grade cedesse, ele poderia ter mordido não só o braço. É um absurdo que, durante todo aquele tempo, não tenha aparecido ninguém para tirar o menino de lá." O mantenedor revela que nesta segunda-feira tem uma audiência agendada no Ministério Público de Cascavel, onde vai se colocar à disposição para trazer alguns carnívoros para Maringá. Segundo Silva, o tigre, as onças e os leões abrigados no zoo estariam sob risco de "perecerem por negligência".

Na estrutura que mantém em uma chácara na área urbana de Maringá ele mantém atualmente uma leoa e sete tigres adultos, entre eles dois irmãos de Hu – Dan e Fred. Para levantar recursos para manter a estrutura, Silva recebe grupos para visitas minitoradas visando a educação ambiental e faz permutas com zoológicos públicos e privados para cessão dos animais, além de participar de programas de TV. Nos locais por onde os felídios circulam, a proteção é feita com tela de fios de aço malha 5 (mais fechada que grades, não permitindo a entrada de mão humana, por exemplo). Semanalmente, de acordo o mantenedor, os felídios consomem cerca de 30 quilos de carne cada um.

O veterinário Valmor Passos, responsável técnico do Zoológico de Cascavel rebate as críticas pelo proprietário do canil escola. Ele reforça que as instalações do parque estão dentro das normas do Ibama e que Chang não morreu sem assistência. "Ela recebeu todos os cuidados necessários, inclusive com apoio do Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná." Passos mostrou à reportagem nota oficial emitida pelo Ibama onde consta que foi adquirida por Silva já adulta, em 2007, sem autorização do órgão federal.

Sobre a possibilidade de Hu voltar para o mantenedor de Maringá, o veterinário é categórico: "Em hipótese alguma este animal vai sair daqui. Ele vai continuar sob a tutela do município de Cascavel. Qualquer movimentação de animais exóticos deve ser feita pelo Ibama." Ainda de acordo com o responsável técnico do zoológico, Hu nunca apresentou sinais de agressividade. (S.L.)

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