Propostas dividem opinião dos pais
Essa ânsia regulatória divide a opinião dos pais. O sociólogo e editor Silvio Grimaldo Camargo, pai de Tomás, de 1 ano e meio, se diz totalmente contra qualquer tipo de regulação como as previstas nos mencionados projetos de lei.
Esse tipo de iniciativa fere dois princípios básicos de uma sociedade democrática: o direito de livre mercado, que é ferido se você restringe a venda de um produto legal, e a liberdade dos pais escolherem o que querem para seus filhos. Essa afronta à liberdade individual está atrelada à mentalidade de que o Estado deve cuidar da educação das crianças, e não os pais, critica.
A advogada Ana Karina Alves Sanfelice, mãe de Clara, 4 anos, e Lucca, 2, discorda e acha necessário haver leis específicas. Acho que existem exageros na publicidade. Outro dia, vi um anúncio com crianças de salto alto, maquiadas. Parecia um estímulo à erotização precoce, uma coisa muito diferente do que eu via quando era criança, afirma.
Tem gente que fala que somos livres para tomar decisões, mas uma criança não tem o mesmo discernimento de um adulto, diz a advogada. Mas, é claro, a lei não vai eximir os pais da sua responsabilidade.
Marta Regina Furlan de Oliveira, professora do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e vice-diretora geral do Colégio de Aplicação, afirma que atualmente tanto crianças quanto adultos são atingidos pela lógica do consumo a diferença é que a criança não tem os elementos para lidar com esses estímulos.
O que eu acho que está faltando é pais e educadores terem um olhar crítico para a questão do consumismo. É algo extremamente forte e até incentivado por pais e escolas. Nesses projetos, pontos de vista têm que ser revistos, critica. (F.G.)





