Promotora defende educação de gênero
A delegada Lívia Pini, do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas De Crime (Nucria), destaca que a falta de estrutura do IML não é o único problema enfrentado por quem atende vítimas de violência doméstica e sexual. Segundo ela, as delegacias especializadas no atendimento de mulheres, adolescentes e crianças também não oferecem plantão de 24 horas em Londrina. "O problema maior é a falta de efetivo, não há servidores disponíveis para o serviço de emergência. Já faz tempo que os exames necessários em caso de estupro não são feitos à noite", relata.
Ela lembra que a falta de acolhimento gera a chamada violência institucional, quando a vítima busca o Estado mas recebe uma resposta insuficiente. "Me sinto angustiada por não conseguir encaminhar as vítimas, como profissionais nos sentimos impotentes", diz.
A promotora de Justiça Suzana Lacerda, da 6ª Vara Criminal, reforça que o Ministério Público tem feito um trabalho em parceria com a Secretaria da Mulher para capacitar os guardas municipais em relação ao atendimento de vítimas de violência doméstica ou sexual, mas que seria importante fazer o mesmo trabalho com os policiais militares, que atendem as vítimas que ainda não obtiveram medida protetiva.
"É muito importante a polícia em geral refletir sobre gênero, entender como deve ser a abordagem e não minimizar a situação das vítimas. O policial tem que ir para a ocorrência com o objetivo de empoderar a mulher e encorajá-la", defende, destacando que o trabalho de educação tem surtido bons resultados junto aos guardas municipais da Patrulha Maria da Penha.
"A violência institucional existe no Judiciário, no Ministério Público e na Polícia. É preciso que haja educação de gênero, para que se aprenda a ter respeito em relação aos seres humanos", opina.
O delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Sebastião Ramos dos Santos Neto, concorda que os policiais precisam ser preparados para ter sensibilidade na hora de atender vítimas de violência sexual e doméstica. "É necessário que a análise extrapole o tipo penal e o enquadramento. Quem atende deve ter sensibilidade para encaminhar o caso de modo a proteger a vítima de futuras agressões", acredita.
Ele lembra que a oferta de um plantão separado para mulheres, crianças e adolescentes é uma reivindicação antiga, mas sem previsão de ser atendida. "Diante disso, uma saída é especializar toda a mão de obra que temos", sugere.
Rosalina Batista, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, explica que uma das grandes reivindicações da entidade é a institucionalização do programa Rosa Viva, que faz a profilaxia inicial das vítimas de estupro na Maternidade Municipal Lucilla Ballalai. "Nunca foi implantado como serviço, o que ia garantir que recebesse mais fundos", diz.
O Conselho defende também que os médicos dos serviços públicos de saúde sejam treinados para atender as vítimas e colher o exame onde a mulher está, sem necessidade de ir ao IML. "A mulher se sente frágil após a agressão. Não deveria passar por mais constrangimentos", diz. (C.A.)





