O número de pontos vulneráveis nas rodovias federais do Paraná cresceu 61% desde o 5º mapeamento, divulgado em 2012. Eram 111 locais e, agora, são 179. Já os considerados críticos aumentaram de 43 para 56 (crescimento de 30%).
Pela primeira vez, o estudo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) cruzou informações sobre os pontos de maior vulnerabilidade com o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M). Chama atenção nessa análise o fato de 90,43% dos 470 municípios brasileiros com pontos críticos ou de alto risco apresentarem IDH-M Educação entre médio e muito baixo (de 0,00 a 0,699).
No Paraná, dos 15 municípios que têm pontos críticos, somente três (Curitiba, Ponta Grossa e Maringá)contam com IDH-M Educação acima de 0,699. Apesar de apresentarem alto índice, todos são considerados grandes entrocamentos rodoviários.
O Norte Pioneiro, uma das mesorregiões mais pobres do Paraná, concentra sete pontos críticos. Só a pequena Abatiá tem três. Ali, o IDHM-E não passa de 0,596. Cornélio tem dois pontos críticos e 0,692 no índice. Andirá tem 2 e 0,660. Já Ortigueira, no Centro Oriental, tem um ponto crítico e o menor IDH-M, 0,441.
Apesar de os policiais rodoviários apontarem grande vulnerabilidade para o crime, autoridades e caminhoneiros garantem que nada viram. A juíza da Vara da Infância e Juventude de Cornélio Procópio, Luciana Usae, afirma que nunca recebeu qualquer denúncia sobre exploração sexual de criança na comarca. Representante do Conselho Tutelar de Abatiá, Karina de Souza, diz que desconhece qualquer ocorrência no município.
O inspetor Cavalcanti, da Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Londrina, disse que a instituição não tem uma explicação para a existência de mais pontos vulneráveis no Norte Pioneiro. "Particularmente eu acredito que os caminhoneiros parem para descansar mais em Cornélio e nas cidades vizinhas do que em Londrina. São cidades menores onde eles se sentem mais seguros para estacionar. Essa pode ser uma explicação", afirma.
Carlos Roberto Delarosa, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Londrina e Região (Sindicam), declara que desconhece a existência da exploração sexual de criança e adolescentes nos postos da rodovia. "Isso tinha muito antigamente. Hoje, os postos não permitem nem prostituição de adulto", garante.
A reportagem conversou com vários caminhoneiros no Posto Portelão, em Cambé, onde há grande concentração de motoristas. Todos negam a presença de crianças e adolescentes nos postos de combustíveis. (N.B.)

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