É muito difícil saber a extensão do problema da exploração sexual comercial de criança e adolescentes o Paraná. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) diz que, em 2013, 50 adolescentes e 8 crianças foram vítimas de crimes em rodovias federais no Estado. Mas, não é possível saber quais crimes foram cometidos. Já, neste ano, foram nove adolescentes e quatro crianças.
A partir de setembro de 2014, o sistema da polícia passou a permitir o detalhamento das ocorrências. Naquele mês, a PRF atendeu uma adolescente de 16 anos que estava em veículo abordado na BR 163, em Lindoeste (Oeste). Entre os policiais que participaram da abordagem estava o londrinense Michel Ribeiro.
"Paramos um carro lá pelas 22 horas. Dentro dele, estavam dois homens e duas mulheres. Uma delas, visivelmente, era menor e estava sem documento. Elas entraram em contradição e, depois, a adulta acabou admitindo que estavam fazendo programa. A intenção dela era conseguir a guarda da menor, que havia deixado a família", conta. O conselho tutelar foi acionado e todos foram levados para a Delegacia de Cascavel, onde os adultos passaram a responder inquérito.
O Plano Decenal dos Direitos da Criança e do Adolescente do Estado do Paraná, diz que, no triênio de 2009 a 2011, foram registradas 3.188 boletins de ocorrências de violência sexual contra crianças e adolescente em 297 dos 399 municípios do Estado. A estatística não diferencia exploração comercial de abuso cometido nas famílias. O documento ressalta que "nem sempre este tipo de violência é registrado, ou sequer vem à tona".
Desde 2006, a Childhood Brasil mantém o programa Na Mão Certa. O objetivo é unir esforços para acabar com a exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias brasileiras. Por meio do programa, empresas e entidades empresariais de todo o País desenvolvem ações para proteger esse público.
A principal estratégia adotada pelo Não Mão Certa é a sensibilização dos motoristas de caminhão, para que atuem como agentes de proteção dos direitos de crianças e adolescentes. "Os caminhoneiros são os principais parceiros porque nos ajudam a denunciar a exploração", afirma a coordenadora de Programas da Childhood Brasil, Anna Flora Werneck.
Anna Flora lamenta a falta de estatísticas sobre o crime no País. "Quando a gente fala de violência sexual, a gente trabalha muito pela experiência, pela intuição. Existem poucos dados no Brasil que nos aproximam da realidade", analisa. (N.B.)

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