Projeto forma educadores
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de julho de 2001
De Mandirituba 
A maioria dos educadores que trabalham na Chácara dos Meninos de Quatro Pinheiros tem uma história bastante peculiar: foram meninos de rua e cresceram fazendo parte do projeto desenvolvido por Fernando de Góis. É o caso de Adilson Pereira de Souza, 21 anos. Ele saiu de casa aos cinco anos, vítima de uma família desestruturada, e conheceu o projeto ainda na Vila Lindóia, na década de 80. Quando a chácara foi construída, em 1993, passou a morar nela e resolveu ficar. Hoje atua como educador em uma das quatro casas da chácara e ainda faz abordagem nas ruas para trazer novos meninos para o projeto.
O trabalho dos educadores consiste em administrar a casa e monitorar o cotidiano dos meninos. A experiência que eu tive ajuda a me relacionar melhor com eles, revela Adilson. O educador Ieter Correa conta que o trabalho é gratificante: Mostra que não é só o dinheiro que é capaz de recuperar uma criança, mas carinho e atenção.
Para o educador Raul Correa, 27 anos, que faz parte do conselho fiscal da chácara, a simplicidade com que é realizado o trabalho é um dos motivos do sucesso do projeto. Ele tinha 12 anos quando conheceu Góis, também na Vila Lindóia, e revela que o trabalho desenvolvido na Fundação Profeta Elias, que foi criada antes mesmo do projeto da chácara ter sido concluído, ajudou nas suas escolhas pessoais e profissionais. Se não fosse essa alternativa, a minha história teria sido diferente, declara
Para ele, a maior dificuldade que as crianças e adolescentes sofrem hoje é o envolvimento com as drogas. Mas se o educador conhece essa realidade, fica mais fácil estabelecer uma relação com os meninos, salienta Raul. A dificuldade está no início desse relacionamento. No princípio, conta o educador Manoel Francisco da Silva Filho, de 40 anos, eles são arredios e teimosos. Mas com o tempo, complementa, a relação de respeito mútuo se concretiza. (K.M.)


