‘‘A capoeira é bem melhor’’, diz L.M.C., 13 anos, que se recupera do vício das drogas. Ele é uma das 150 crianças e adolescentes que participam dos projetos de capoeira e teatro desenvolvidos pelo Projeto Igrejas Irmãs da Arquidiocese de Londrina, no Centro Pastoral Santana, localizado no Jardim Monte Cristo, zona leste de Londrina.
A prevenção e o combate às drogas, segundo a religiosa Tânia Regina Micheletti, coordenadora do projeto, integram as ações que buscam o resgate da auto-estima e a valorização pessoal da população do bairro, que vive em situação de extrema miséria. Pelo projeto são oferecidos os cursos de capoeira, teatro, inglês. Nesta semana começam as aulas de dança e pintura em tela.
As atividades representam um custo mensal aproximado de R$ 800,00, financiados pela Cáritas Arquidiocesana de Londrina com recursos oriundos da Coleta da Solidariedade, promovida pela Campanha da Fraternidade, e por doações de cidadãos e paróquias italianas.
O trabalho, entretanto, é mais de caráter preventivo, oferecendo ao público alvo o acesso à cultura, que na opinião da religiosa, não é privilégio de quem tem dinheiro. ‘‘Procuramos chegar antes das drogas’’, salienta.
No grupo de capoeira, que existe há dois anos, estão os melhores resultados da ação preventiva e alguns casos de recuperação, como o menor L.M.C. As regras e a disciplina exigidas pelo esporte acabam por refletir na vida pessoal dos jovens.
‘‘Com as atividade daqui não sobra tempo para as drogas’’, resume a adolescente S.S., 19 anos, há três longe do vício. A recuperação dele foi iniciada na Escola Oficina, instalada na zona norte de Londrina, e mantida por uma associação não governamental. Ela conta que por sete anos experimentou de tudo e num dos momentos de ‘‘loucura’’ fez quatro tatuagens no corpo. Uma delas ocupa toda a coxa direita e outra, logo abaixo do joelho esquerdo, é exibida com muita vergonha por S.S.
O caminho de entrada dos jovens no mundo das drogas está sempre associado a históricos de desestrutura familiar e más companhias, aliados à falta de dinheiro e de oportunidades. A valorização da pessoa é, na opinião de Irmã Tânia, o fator principal de recuperação. ‘‘As mudanças vão desde a aparência física até a participação na vida da comunidade e o retorno à escola’’, argumenta.
Mesmo sendo ligado e financiado pela Igreja Católica, o projeto, conforme explica a religiosa, não tem a participação na Igreja como pré-requisito. Não fazemos exigências, mas auxiliamos no aumento das perspectivas de vida.’’ (C.G.)

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